A hermenêutica esta livre do paradoxo e do antagonismo
religioso. Existe uma preocupação ritualística entre os religiosos que entendo,
porém lamento. Quando encontram filhos do Reino, a primeira palavra ou frase
que dirigem é a seguinte: Esta congregando em qual igreja? Não os culpo, tão
pouco julgo, entendo que o processo é por osmose, inclusive e sem que percebam,
enraizadamente espiritual.
Misteriosamente, quase num perplexo engodo, não percebo
perguntas sobre como a pessoa esta ou se tem precisado de alguma coisa, ninguém
se oferece para orar, não questionam sobre as necessidades, se precisam de
algum tipo de apoio, mas não... Falta aquela alma cândida. O importante é se esta congregando em alguma igreja.
Quando explico sobre o que é seguir o caminho cristão, sobre a perseverança, o
amor, a fé e o compromisso diário com Cristo, recebo olhares desapontados e
desconfiados, nada disso importa, o importante é em qual igreja se esta
congregando... Interessante.
Não convidam para as festividades, não cumprimentam na rua e
efetivamente com salvas almas, não esboçam alegria nestes encontros. Recentemente
fiz um teste, ao encontrar um ex aluno respondi a fatídica pergunta
positivamente, sim, disse eu em método laboratorial, ao qual o não mais
catecúmeno abriu um sorriso e disse: Glória a Deus! Expliquei então que a igreja de Cristo se move
através de mim... E aí... Osmose!
É claro que entendo, afinal não obstante a experiência e o
estudo, estou envelhecendo e a compreensão parece que diminui, aumentando assim
o desejo natural de seleção. Mesmo tendo certeza que o agora teólogo me tem em
estima, não ouvi a pergunta que procuro, parece que na verdade ninguém se importa
se estamos bem, se estamos em paz, se temos dinheiro ou se estamos passando
fome. As atenções estão voltadas para um único fato interrogativo convicto: “O
irmão congrega aonde?” Veja que paradoxo hermenêutico, osmosianos antagônicos a
exegese do único livro histórico.
Estou farto do movimento osmosiano, sinceramente ele não me
interessa, são matadores de pensadores, de religiosos verdadeiramente livres,
Davi foi um homem que entendeu que sua armadura não poderia ser a de outro
homem, Davi foi livre. É claro que a igreja, por ainda um tempo manterá certa
relevância, mais me refiro a algo maior.
Tenho conhecido cristãos de todas as naturezas, cada um com
sua história. Os menos religiosos, confesso, são mais sinceros e realistas
consigo mesmo e com os demais, não escondem seus desejos e essência, se for
assim possível. Percebo nos mais religiosos uma obcecação no ideal, uma
ausência do real, o que a duras penas entenderão, penso, que há um abismo, ao
qual se torna maior quando a arrogância e a altivez imperam, essencialmente com
o fator osmosiano.
Digo a verdade e não minto, não estou interessado em qual
igreja estão freqüentando, nem quantos títulos os vossos guias têm, nem o
tamanho do novo templo, ou quanto foi gasto na nova reforma... È tudo esterco.
Mais espero encontrá-los em paz, com boa saúde e em
harmonia. Espero que estejam sendo cristãos o máximo possível, e que não
inventem espiritualidade. Espero que de alguma maneira Deus me abaste de força
para ajudar alguns, com palavras, fé e obras. Que tenha tempo para ouvir um
pouco mais, e isso de verdade. Que possa ser melhor e melhorar um pouco mais,
acho que até o recolhimento, ainda dá tempo.