terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Falácias Vocabulares

Como as palavras são surpreendentes! Elas podem transmitir informações e expressar ou evocar emoções. São os veículos que nos capacitam a pensar. Com palavras de comando podemos fazer com que as coisas aconteçam; com palavras de adoração, louvamos a Deus; em outro contexto, as mesmas palavras blasfemam contra Ele.
Normalmente, observamos que cada palavra isolada tem um determinado campo semântico restrito e, portanto, o contexto pode modificar ou adaptar o significado de um termo somente dentro de certos limites. É claro que o campo semântico total de uma palavra não está permanentemente estabelecido; com o passar do tempo e os novos usos, ele pode mudar de forma considerável.
Resumindo, podemos dizer que as palavras mudam de significado com o decorrer do tempo.
Consequentemente devemos suspeitar um pouco quando algum trecho de exegese tenta estabelecer o significado de uma palavra recorrendo, antes de tudo, a seu uso no grego clássico, em vez do emprego no grego helenístico.

A Transposição do Abismo Gramatical

Um fato característico da Reforma foi o retorno á interpretação histórica e gramatical das Escrituras. Esse método contrapunha-se radicalmente ao esquema de interpretação bíblica que vinha sendo utilizado havia séculos: a concepção que desprezava o sentido gramatical normal dos termos e permitia que os leitores atribuíssem a palavras e frases o significado que desejassem. Portanto, quanto melhor entendermos a gramática bíblica e o contexto histórico em que aquelas frases foram inicialmente comunicadas, tanto mais compreenderemos as verdades que Deus quis transmitir-nos.

Princípios Teológicos

Teologia é o estudo da revelação que Deus fez a respeito Dele mesmo e da Sua relação com o mundo. O livro-fonte deste estudo é a Bíblia. A teologia procura tirar conclusões sobre vários tópicos, amplos e importantes, presentes na Bíblia. A que se assemelha Deus? Qual é a natureza do homem? Qual é a doutrina da salvação realmente válida? São estes os tipos de assuntos de que trata a teologia.
Você precisa compreender gramaticalmente a Bíblia, antes de compreendê-la teologicamente.
“Você precisa entender o que diz a passagem, antes de poder esperar entender o que ela quer dizer”.
Você terá de compreender o que uma passagem diz, antes de extrair dela quaisquer conclusões doutrinárias.
Uma doutrina não pode ser considerada bíblica, a não ser que resuma e inclua tudo o que a Escritura diz sobre ela.
É estulto chegar a uma conclusão antes de ouvir os argumentos todos. Assim também, é um erro chegar a conclusões a respeito de determinada doutrina antes de estudar tudo que a Bíblia diz sobre o assunto.
Quando parecer que duas doutrinas ensinadas na Bíblia são contraditórias, aceite ambas como escriturísticas, crendo confiamente que elas se explicarão dentro de uma unidade mais elevada.
Existe nas Escrituras certo número de aparentes contradições ou paradoxos. “Aparentes” porque na realidade não o são. Parecem contraditórias porque a mente finita do homem não pode compreender a mente infinita de Deus.
Nossa lealdade não é primeira e primordialmente a um sistema de teologia, mas á Escritura. Quando você interpretar a Bíblia, não permita que a lógica humana a faça dizer nem mais nem menos do que de fato diz. Na proporção em que as Escrituras falam com clareza, você pode falar com clareza. Quando as Escrituras fazem silêncio, você deve ficar em silêncio. Onde a Bíblia ensina duas doutrinas “conflitantes”, você deve seguir o exemplo dela e sustentar ambas, mantendo cada uma em perfeito equilíbrio com a outra.
Você não pode violar um princípio de interpretação a fim de justificar outro. O seu estudo da Bíblia precisa levar em conta todos os princípios, se é que pretende fazer uma interpretação válida.
“A Bíblia é a Palavra de Deus, de tal forma que, quando ela fala, Deus fala”. Não resta dúvida de que as pessoas podem fazer a Bíblia dizer o que querem ouvir, desde que descartem os métodos normais para a compreensão de documentos escritos.
A interpretação deve apoiar-se primeiramente na observação e, depois conduzir á aplicação. Ela é um meio que visa a um fim, não um fim em si mesma. O objetivo do estudo da Bíblia não se limita a apurar o que ela diz e o seu significado; inclui a aplicação dela á vida. Se não aplicarmos as Escrituras, estaremos encurtando o processo como um todo e deixando incompleto o que Deus deseja que façamos.
“A interpretação da Bíblia é uma das questões mais importantes que os cristãos enfrentam hoje. Dela resulta o que cremos, como vivemos, como nos relacionamos e o que temos a oferecer ao mundo”.
Quando transmitimos a Palavra de Deus, seja em aconselhamentos individuais, seja ensinando na escola dominical ou num grupo de estudo bíblico, seja pregando, o conhecimento que passamos, com base no nosso entendimento das Escrituras, sem dúvida alguma influenciará outras pessoas. Suas vidas estão em nossas mãos.
Quando a Bíblia não é interpretada corretamente, a teologia de um indivíduo ou de toda uma igreja pode ser desorientada ou superficial, e seu ministério, desequilibrado.

Princípios Históricos

Os princípios históricos tratam do cenário histórico do texto. Para quem e por quem foi escrito o livro? Por que foi escrito e que papel desempenhou o cenário histórico na formação da mensagem do livro? Quais os costumes e o ambiente do povo? São desse tipo as perguntas que você procura responder quando considera o aspecto histórico do seu estudo.
Desde que a Escritura originou-se num contexto histórico, só pode ser compreendida á luz da história bíblica. Embora a revelação de Deus nas Escrituras seja progressiva tanto o velho como o Novo Testamento são partes essenciais desta revelação e formam uma unidade.
Deus se revela progressivamente conforme a história se desenvolve. Mas isto não significa que os padrões de Deus se tornam progressivamente mais elevados ou que Deus muda no meio do caminho. Antes, nossa compreensão de Deus e de Sua revelação é que é progressiva. Deus não muda nunca.
A revelação que Deus faz de Si é progressiva, á medida que você vai lendo a Bíblia, mas o Seu caráter é imutável. O grandioso plano divino de redenção é o mesmo em ambos os testamentos. Ao estudar a Bíblia, você pode considerá-los duas partes do mesmo livro, não dois livros separados.

Princípios Gramaticais

Os princípios gramaticais tratam das palavras do texto propriamente ditas. Como você deverá entender as palavras e frases das passagens em estudo? Que regras básicas devem ser lembradas no trato do texto? Estes princípios respondem a essas questões.
Interprete as palavras no sentido que tinham no tempo do autor. Quando você estudar uma palavra particular, deverá determinar quatro coisas:
1. O uso que dela fez o escritor.
2. Sua relação com o seu contexto imediato.
3. Seu uso corrente na época em que foi escrita.
4. Seu sentido etimológico.
Ao interpretar uma palavra ou passagem, sua meta é determinar o sentido dela para o autor, quando a escreveu. Esforce-se para libertar-se de todo e qualquer preconceito pessoal quando estudar uma passagem. O seu objetivo é compreender o pensamento do escritor, não o que você acha que ele devia ter dito.
Interprete a palavra em relação á sua sentença e ao seu contexto.
Este estudo do contexto para determinar o sentido exato de uma palavra é uma das mais importantes e fundamentais regras de interpretação. Você se verá a consultá-lo a cada passo em seu estudo da Bíblia.
Cada escritor da Bíblia teve uma razão particular para escrever seu (s) livro (s). Ao desenrolar-se o argumento do escritor, há conexão lógica entre uma seção e a seguinte. Você precisa encontrar o propósito global do livro a fim de determinar o sentido de palavras ou passagens particulares no livro.

Princípios Gerais

Ao procurar submeter-se ao que dizem as Escrituras, é importante entender que na Bíblia a autoridade é expressa de várias maneiras.
1. Uma pessoa age como quem tem autoridade, e a passagem explica se o ato é aprovado ou reprovado.
O rei Davi queria construir um templo para Deus; assim Natã lhe disse: “Vai, faze tudo quanto está no teu coração; porque o Senhor é contigo” (2 Sm. 7:3). Natã falou em tom de autoridade a Davi o que este devia fazer, mas lemos que esse conselho foi errado e que Deus não queria que Davi edificasse o templo (v. 4-17).
2. Uma pessoa age com atitude de autoridade e a passagem não mostra aprovação nem reprovação.
Neste caso, a ação precisa ser julgada com base naquilo que o restante da Bíblia ensina sobre o assunto.
Por exemplo, Abraão e Sara vão para o Egito por causa da fome em Canaã (Gn. 12:10-20). Temeroso de que o faraó pudesse matá-lo para apossar-se da bela Sara, Abraão disse á sua esposa: “Dize, pois, que és minha irmã, para que me considerem por amor de ti e, por tua causa, me conservem a vida”. Foi uma atitude covarde de Abraão? A passagem não o diz. Você fica entregue, para a sua conclusão, á sua compreensão daquilo que o restante da Escritura tem para dizer sobre o assunto.
Omissão – citar só a parte que lhe convém e deixar de lado o restante. Há dois tipos de morte na Bíblia, física e espiritual. Morte física é separar-se a alma do corpo. Morte espiritual é separar-se a alma de Deus. Quando Deus disse a Adão: “Certamente morrerás” (Gn. 2:17), estava se referindo á morte física e á morte espiritual. Quando a serpente disse a Eva: “È certo que não morrereis” (3:4), estava omitindo de propósito o fato da morte espiritual.
Acréscimo – dizer mais do que a Bíblia diz. Em sua conversação com Satanás, Eva cita o que Deus falou a seu marido. Mas á Palavra de Deus acrescenta a frase: “Nem tocareis nele” (Gn. 3:3). Você pode torcer a Escritura fazendo-a dizer mais do que de fato diz.
Geralmente o motivo é o desejo de tornar irracional a ordem de Deus e assim indigna de ser obedecida.
Quando você estudar a Bíblia, deixe-a falar por si mesma. Não lhe acrescente nem lhe subtraia nada. Deixe que a Bíblia seja o seu próprio comentário. Ao estudar-se um capítulo ou um parágrafo, o contexto é o primeiro lugar em que você procurará a interpretação. As referências são úteis, mas você deve tentar estabelecer a referência do pensamento do versículo, e não de uma palavra ou frase apenas.
A Bíblia interpretará a si mesma, se for estudada apropriadamente.
As suas experiências pessoais—sejam quais forem—devem ser conduzidas ás Escrituras e interpretadas. Nunca o caminho inverso. “Porque tive esta experiência, o que se segue tem de ser verdade”, não é sadio procedimento na interpretação da Bíblia.
A experiência pessoal é parte importante da vida cristã, mas você deve ter o cuidado de mantê-la em seu lugar próprio. Conquanto você aprenda da experiência, não julgará a Bíblia sobre aquela base.
As Escrituras se fundem lindamente com as experiências da vida. Quanto mais tempo você passar estudando a Bíblia, mais esta verdade se imprimirá em sua vida.
É precisamente por esta razão que você deve ter cuidado para não inverter esta regra. Permita que a Palavra de Deus interprete e amolde as suas experiências, em vez de você interpretar a Escritura a partir das suas experiências.
Quando estudarmos a Bíblia, deveremos fazê-lo com cuidado para não restringirmos esta liberdade, quer para nós, quer para os outros. Para citar os grandes teólogos puritanos do passado: “A Bíblia é a nossa única regra de fé e prática”.
Quando o Espírito Santo superintendeu o registro da Escritura, sua intenção foi que nós, que lemos as Escrituras, aprendamos e apliquemos o que elas nos ensinam. A própria Escritura afirma que esse é o propósito por ela visado.
Todas as partes da Bíblia são aplicáveis a você, todavia, a interpretação correta é essencial, antes de procurar fazer aplicação. Falhar nisso pode levar a mal-entendido e desgosto desnecessários. Tenha o cuidado de interpretar corretamente a passagem; depois, devotamente faça a aplicação.
Cada cristão tem o direito e a responsabilidade de investigar e interpretar pessoalmente a Palavra de Deus.
Este princípio foi um dos abrangentes fundamentos da Reforma Protestante do século dezesseis. Por centenas de anos o povo dependera de que a igreja fizesse o estudo e a interpretação das Escrituras para ele. Não havia traduções da Bíblia na língua do povo. Quando se faziam tentativas para produzir essas traduções, a igreja as supria á força. Hoje existem múltiplas traduções e paráfrases ao alcance de todos, tornando fácil o acesso á Bíblia para quem quer que saiba ler.
O processo de cavar fundo na escritura e chegar á sua conclusão pessoal é o que transforma simples crenças em convicções solidamente firmadas. Envolver-se nesse processo é, não só seu direito como filho de Deus, mas também sua solene responsabilidade.
A igreja não determina o que a Bíblia ensina; a Bíblia determina o que a igreja ensina.
As interpretações da igreja têm autoridade somente na medida em que estejam em harmonia com os ensinamentos da Bíblia como um todo.
O propósito primário da Bíblia é mudar as nossas vidas, não aumentar o nosso conhecimento. Exatamente como é essencial que você interprete apropriadamente a passagem antes de aplicá-la, também é essencial interpretar apropriadamente a promessa antes de reivindicá-la.

Hebraísmos

Por hebraísmos entendemos certas expressões e maneiras peculiares do idioma hebreu que ocorrem em nossas traduções da Bíblia, que originalmente foi escrita em hebraico e em grego. Alguns conhecimentos destes hebraísmos são necessários para poder fazer uso devido de nossa primeira regra de interpretação.
Exegese é a aplicação dos princípios da hermenêutica para chegar-se a um entendimento correto do texto. O prefixo ex (“fora de” “para fora”, ou “de”) refere-se á idéia de que o intérprete está tentando derivar seu entendimento do texto, em vez de ler seu significado no (“para dentro”) texto (eisegese).
A mesma coisa pode acontecer ao traduzir-se de outras línguas se o leitor ignorar que frases como “o Senhor endureceu o coração de Faraó” podem conter expressões idiomáticas que dão sentido primitivo desta frase, algo diferente daquele comunicado pela tradução literal.

Paradoxo

Paradoxo é uma afirmação aparentemente absurda ou contrária ao bom senso. Um paradoxo não é uma contradição; é simplesmente algo que parece ser o oposto do que em geral se sabe. Parece um paradoxo o fato de Jesus dizer: “... quem perder a vida por causa de mim e do evangelho, salvá-la-á...” (Mc. 8:35). Geralmente, quando alguém perde alguma coisa, não a salva ao mesmo tempo. É claro que Jesus falou desse modo para enfatizar que, quando alguém faz sacrifícios por ele, de fato experimenta uma vida mais completa e agradável.

Ironia

A ironia é uma forma de ridicularizar indiretamente sob a forma de elogio. Com freqüência vem marcada pelo tom de voz de quem fala, para que os ouvintes a percebam. Por isso, ás vezes é difícil saber se uma declaração escrita deve ser considerada ironia. Mas normalmente o contexto ajuda a mostrar se é ou não uma ironia. Mical, a filha de Saul, disse a Davi: “... Que bela figura fez o rei de Israel...” (2 Sm. 6:20). O versículo 22 indica que o sentido pretendido era o oposto, ou seja, que ele havia-se humilhado ao agir de maneira indigna, no entender de Mical. Ás vezes a ironia vem acompanhada de humor, como no caso em que Elias zombou dos profetas de Baal: “... Clamai em altas vozes, porque ele é deus!” (1 Rs. 18:27). È claro que Elias não acreditava que o falso deus Baal realmente existisse. Ele fez um elogio a Baal em tom de ironia para incitar os profetas a orarem ainda mais alto. Isso reforçou o fato de que aquele deus falso, ao contrário de Javé, o Deus verdadeiro, nem sempre ouvia seus adoradores.

Litotes

Consiste numa frase suavizada ou negativa para expressar uma afirmação. É o oposto da hipérbole. Quando dizemos “Ele não é um mau pregador”, queremos dizer que ele é um pregador muito bom. A atenuação confere ênfase. Quando Paulo disse “... Eu sou judeu, natural de Tarso, cidade não insignificante...” (At. 21:39), quis dizer que Tarso era na realidade uma cidade importante. Ás vezes uma litotes é uma frase de depreciação, como vemos em Números 13:33: “Éramos aos nossos próprios olhos gafanhotos, e assim também o éramos aos seus olhos”, Lucas empregou esse recurso várias vezes. Ele comentou que “houve não pouco alvoroço entre os soldados” (At. 12:18), “não pouco lucro” (19:24) “não pequena tempestade” (27:20), e que Paulo e Barnabé permaneceram em Antioquia “não pouco tempo” (14:28). Paulo depreciou a si mesmo com uma litotes, em 1 Co. 15:9: “Porque eu sou o menor dos apóstolos”. Essa declaração de autêntica humildade foi feita para salientar a graça de Deus em sua vida, como pecador que não a merecia (veja o v.10).

Hipérbole

É uma afirmação exagerada em que se diz mais do que o significado literal com o objetivo de ênfase. Quando 10 dos espias israelitas apresentaram o relatório da incursão á Canaã, disseram: “... as cidades são grandes e fortificadas até aos céus...” (Dt. 1:28). È claro que eles não estavam afirmando que as muralhas das cidades de Canaã realmente chegavam aos céus; estavam apenas dizendo que eram descomunalmente altas.
O salmista valeu-se da hipérbole para acrescentar ênfase quando escreveu: “... todas as noites faço nadar o meu leito, de minhas lágrimas o alago...” (Sl. 6:6).

Pergunta retórica

Uma pergunta retórica é aquela que não exige resposta; seu objetivo é forçar o leitor a respondê-la mentalmente e avaliar suas implicações. Quintiliano (35-100 d.C.), retórico romano, afirmou que as perguntas retóricas aumentam a força e a irrefutabilidade da prova. Quando Deus perguntou para Abraão: “Acaso para Deus há cousa demasiadamente difícil?”... (Gn. 18:14), ele não esperava ouvir uma resposta. A intenção era que o patriarca a respondesse mentalmente. O mesmo aconteceu quando o Senhor perguntou a Jeremias: “... acaso haveria cousa demasiadamente maravilhosa para mim?” (Jr. 32:27). Paulo fez uma pergunta retórica em Romanos 8:31: “... Se Deus é por nós, quem será contra nós?”. Essas perguntas retóricas são formas de transmitir informações. As primeiras duas perguntas indicam que nada é impossível para Deus, e a indagação de Paulo em Romanos 8:31 diz que ninguém pode vencer o cristão, pois Deus o defende.

Eufemismo

Consiste na substituição de uma expressão desagradável ou injuriosa por outra inócua ou suave. Falamos da morte mediante eufemismo: “ele passou para o outro lado”, “bateu as botas” ou “foi para uma melhor”. A Bíblia fala da morte dos cristãos como um adormecimento (At. 7:60; 1 Ts. 4:13-15).

Zoomorfismo

Se o antropomorfismo atribui características humanas a Deus, o zoomorfismo atribui características animais a Deus (ou a outros). São maneiras expressivas e originais de salientar certos atos e qualidades do Senhor. O salmista disse: “[Deus] Cobrir-te-á com as suas penas, sob suas asas estarás seguro”. (Sl. 91:4). A imagem que vem á mente dos leitores é de pintinhos ou passarinhos protegidos debaixo das asas da galinha ou do pássaro-mãe. Jó descreveu o que considerou ser a ira de Deus contra ele quando disse: “[Deus] contra mim rangeu os dentes” (Jó 16:9).

Antropopatia

Esta figura de linguagem atribui emoções humanas a Deus, como vemos em Zacarias 8.2: “Tenho grandes zelos de Sião”. Também em Gn. 6:6: “Então arrependeu-se o Senhor”.

Antropomorfismo

Consiste na atribuição de qualidades ou ações humanas a Deus, como ocorre nas referências aos dedos de Deus (Sl. 8:3), a seus ouvidos (3:2) e a seus olhos (2 Cr. 16:9).

Personificação

O que ocorre aqui é a atribuição de características ou ações humanas a objetos inanimados, a conceitos ou a animais. A alegria é uma emoção atribuída ao deserto, em Isaías 35:1: “O deserto e a terra se alegrarão”. Isaías 55:12 fala de montes e outeiros entoando cânticos e de árvores batendo palmas. A morte personifica-se em Romanos 6.9 e em 1 Co. 15:55.

Metonímia

A metonímia consiste em substituir uma palavra por outra. Quando dizemos que o Congresso tomou uma decisão, estamos referindo-nos a deputados e senadores. Substituímos os deputados e os senadores pela estrutura política que dirigem. Na afirmação: “A pena é mais forte do que a espada”, queremos dizer que o que se escreve (a pena) surte mais efeito do que o poderio militar (a espada). Na Bíblia, existem pelo menos três tipos de metonímia.

Hipocatástase

Esta figura de linguagem, não tão conhecida, também faz uma comparação em que a semelhança é indicada diretamente. Quando Davi disse: “Cães me cercam...” (Sl. 22:16), estava referindo-se a seus inimigos, chamando-os de cães. Os falsos mestres também são chamados cães, em Filipenses 3:2, e lobos vorazes, em Atos 20:29. As diferenças entre um símile, uma metáfora e uma hipocatástase podem ser identificadas nas seguintes frases:
Símile: “Vocês, ímpios, são como cães”.
Metáfora: “Vocês, ímpios, são como cães”.
Hipocatástase: “Seus cães”.
Em João 1:29, João Batista fez uso de uma hipocatástase: “... Eis o Cordeiro de Deus...”. Se ele tivesse dito: “Jesus é como um cordeiro” estaria usando um símile. Mas se tivesse dito: “Jesus é um cordeiro”, estaria usando uma metáfora. Quando Cristo disse a Pedro: “... Apascenta as minhas ovelhas...” (Jo. 21:17), ele chamou seus seguidores de ovelhas, usando uma hipocatástase.
O contexto precisa ser avaliado para saber o que a hipocatástase representa. Por exemplo, Jeremias disse: “um leão subiu da sua ramada” (Jr. 4:7).

Metáforas

È uma comparação em que um elemento, imita ou representa outro (sendo que os dois são essencialmente diferentes). Numa metáfora, a comparação está implícita, ao passo que num símile é visível. Uma pista para identificar uma metáfora é que os verbos “ser” e “estar” sempre são empregados. Temos um exemplo disso em Isaías 40:6: “Toda a carne é como a erva”. (Um símile sempre traz a conjunção como ou outras). O Senhor disse para Jeremias: “O meu povo tem sido ovelhas perdidas” (Jr. 50:6). O Senhor comparou seus seguidores ao sal: “Vós sois o sal da terra” (Mt. 5:13). Eles não eram sal de verdade; estavam sendo comparados ao sal. Quando Jesus afirmou: “Eu sou a porta” (Jo. 10:7-9). “Eu sou o bom pastor” (v.11-14) e “Eu sou o pão da vida” (6:48), ele estava fazendo comparações. Em certos aspectos, ele é como uma porta, como um pastor e como um pão. O leitor é levado a pensar de que forma Jesus assemelha-se a tais elementos.
“Existe na metáfora alguma característica comum a ambas as partes, a qual, normalmente, não é reconhecida como comum”.

Símile

É uma comparação em que uma coisa lembra outra explicitamente (usando como, assim como, tal qual, tal como). Pedro usou um símile quando escreveu: “... toda carne é como a erva...” (1 Pe. 1:24). As palavras do Senhor em Lucas 10:3 são um símile: “... Eis que eu vos envio como cordeiros para o meio dos lobos...”. Também existem símiles no salmo 1: “Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas” (v. 3) e "são [...] como a palha” (v.4). A dificuldade dos símiles é descobrir as semelhanças entre os dois elementos. Em que aspecto o homem é como a erva? Em que sentido os discípulos de Jesus eram como cordeiros? De que forma o cristão é como uma árvore e o ímpio como a palha?

Regras de Interpretação

As regras de interpretação se dividem em quatro categorias: Gerais, Gramaticais, Históricas e Teológicas.
Regras Gerais de Interpretação - são os que tratam da matéria global da interpretação. São universais em sua natureza, não se limitando a considerações específicas, incluídas estas nas outras três seções.
Regras Gramaticais de Interpretação - são os que tratam do texto propriamente dito. Estabelecem as regras básicas para o entendimento das palavras e sentenças da passagem em estudo.
Regras Históricas de Interpretação - são os que tratam do substrato ou contexto em que os livros da Bíblia foram escritos. As situações políticas, econômicas e culturais são importantes na consideração do aspecto histórico do seu estudo da Palavra de Deus.
Regras teológicas de Interpretação - são os que tratam da formação da doutrina cristã. São, por necessidade, regras “amplas”, pois a doutrina tem de levar em consideração tudo que a Bíblia diz sobre dado assunto. Embora tendam a ser regras um tanto complicadas, nem por isso são menos importantes, pois desempenham papel de profunda relevância na obra de dar forma aquele corpo de crenças.

Fundamentos da Hermenêutica

1. Traduzir o texto original tornando-o compreensível em língua vernácula, sem sangrar o sentido primário.
2. Compreender o sentido do texto dentro de seu ambiente histórico-cultural e léxico-sintático.
3. Explicar o verdadeiro sentido do texto, em todas as dimensões possíveis (autor, audiência, condições sociais, religiosas, etc.).
4. Tornar a mensagem das Escrituras inteligível ao homem moderno, conduzindo-o a Cristo.

Regras da Hermenêutica

Regra Fundamental (Primeira Regra)
A Escritura explicada pela Escritura, ou seja: a Bíblia, sua própria intérprete.
Segunda Regra
É necessário tomar as palavras no sentido que indica o conjunto da frase.
Terceira Regra
É necessário tomar a frase no sentido indicado no contexto, a saber, os versículos que precedem e seguem ao texto que se estuda.
Quarta Regra
É preciso tomar em consideração o objetivo ou desígnio do livro ou passagem em que ocorrem as palavras ou expressões obscuras.
Quinta Regra
É necessário consultar as passagens paralelas.
Quinta Regra – Segunda Parte
Paralelos de idéias
Para conseguir a idéia completa e exata do que ensina a Escritura neste ou naquele texto determinado, talvez obscuro ou discutível, consultam-se não só as palavras paralelas, mas os ensinos, as narrativas e fatos contidos em textos ou passagens aclaratórios que se relacionem com o dito texto obscuro ou discutível. Tais textos ou passagens chamam-se paralelos de idéias.
Quinta Regra – Terceira Parte
Paralelos de ensinos gerais
Para a aclaração e correta interpretação de determinadas passagens não são suficientes os paralelos de palavras e idéias; é preciso recorrer ao teor geral, ou seja, aos ensinos gerais das Escrituras.

Exegese x Eisegese

Enquanto a exegese consiste em extrair o significado de um texto qualquer, mediante legítimos métodos de interpretação; a eisegese consiste em injetar em um texto, alguma coisa que o interprete quer que esteja ali, mas que na verdade não faz parte do mesmo. Em última instância, quem usa a eisegese força o texto mediante várias manipulações, fazendo com que uma passagem diga o que na verdade não se acha lá.

Naquele tempo e lá / Agora e aqui

Quando estudamos um texto é necessário primeiramente entendê-lo “Naquele tempo e lá”, ou seja, no tempo e lugar onde o texto foi escrito, para depois entendê-lo “Agora e aqui”, ou seja, nos nossos dias, após isso se dará a “Aplicação do texto” e em seguida a “Pregação (ensino)”.
O texto analisado da forma “Aqui e agora” tem uma distância enorme do texto “Naquele tempo e lá”. A distância do “agora e aqui” e “naquele tempo e lá” se da pela:
1 – linguagem
2 – cultura
3 – geografia
4 – história
5 – filosofia
Ex. Dt. 24:1 – Mt. 5:31-32

O Início Correto da Interpretação

Um estudo da história da interpretação bíblica começa, em geral, com a obra de Esdras. Ao voltar do exílio na Babilônia, o povo de Israel solicitou a Esdras que lhes lesse o Pentateuco. Neemias 8:8 lembra: “Leram (Esdras e os levitas) no Livro, na lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia.”

Os Primeiros Intérpretes

O primeiro intérprete da Palavra de Deus foi o diabo, dando á palavra divina um sentido que ela não tinha, falseando astutamente a verdade (Gn. 3:1). Na verdade Deus disse o contrário (Gn. 2:16).
O segundo intérprete da Palavra de Deus foi Eva (Gn. 3:3). Na verdade Deus disse outra coisa (Gn. 2:16-17).

Subcategorias

A teoria hermenêutica divide-se, em duas subcategorias: a hermenêutica geral e a especial. Hermenêutica geral é o estudo das regras que regem a interpretação do texto bíblico inteiro. Inclui os tópicos das análises histórico-cultural, léxico-sintática, contextual, e teológica. Hermenêutica especial é o estudo das regras que se aplicam a gêneros específicos, como parábolas, alegorias, tipos, e profecias. (Ex. Sl.91).

Etimologia

Hermenêutica é um ramo da filosofia que estuda a teoria da interpretação, que pode referir-se tanto à arte da interpretação, ou a teoria e treino de interpretação. A hermenêutica tradicional que inclui hermenêutica Bíblica, se refere ao estudo da interpretação de textos escritos, especialmente nas áreas de literatura, religião e direito. 

A hermenêutica moderna, ou contemporânea, engloba não somente textos escritos, mas também tudo que há no processo interpretativo. Isso inclui formas verbais e não-verbais de comunicação, assim como aspectos que afetam a comunicação, como proposições, pressupostos. 

Consistência hermenêutica refere-se à análise de textos para explicação coerente. A hermenêutica refere-se a um método de interpretação.

Tratando-se de hermenêutica bíblica, o cristão não pode perder o foco, e entender bem a história de Cristo através dos evangelhos, pois Cristo é o centro hermenêutico da Bíblia.