quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O Conflito no Oriente Médio – Uma Visão Hermenêutica

Acompanhando os noticiários, percebemos a constante ênfase da mídia internacional sobre a guerra no Oriente Médio. Os olhos do mundo estão voltados para esta pequena parte do planeta, que não há pouco tempo alimentam um clima hostil. Entre tantos conflitos intermináveis, nos desperta a curiosidade de entender o motivo deste desentendimento.
Todos os dias temos notícias de Israel e Palestina, a mídia, tem sempre nos informado sobre as sucessivas batalhas e conflitos existente entre estes dois povos há muito tempo. Sabemos que um dos motivos é a terra, penso ser o centro do conflito. O que ninguém explica é a origem do conflito, afinal, onde começou esta história de desentendimento e guerra? Qual foi a causa primeira que levou estes povos a cultivarem este ódio entre eles? Quem são eles? De onde surgiram? A resposta a estas perguntas estão na Bíblia, e com a ajuda da hermenêutica iremos analisar o assunto mais especificamente.
Tudo começa quando Deus separa para si um povo que lhe seja fiel, que siga os seus preceitos e estatutos e que, acima de tudo, obedeça as suas ordenanças. Em Gênesis capítulo 12, acontece o início deste povo na pessoa de Abrão, o primeiro patriarca de Israel, conhecido como o pai da fé, ao qual Deus escolhe dentre todos os homens da face da terra. O caminho da história nos leva a Moisés, homem restaurado por Deus, líder, legislador, profeta, conhecido como amigo de Deus. Por determinação do próprio Deus, após a morte de Moisés, Josué passa a liderar o povo, a esta altura, algo em torno de dois milhões de pessoas, homem temente a Deus, corajoso, líder por excelência. Tudo estava caminhando bem, Josué estava cumprindo as ordenanças do Senhor, e consequentemente, Israel recebia benção sobre benção. Mas, o coração do homem resolve por si mesmo seguir caminhos que se tornam estranhos, e Josué comete um erro que comprometeria o futuro desta nação.
A promessa de Deus feita a Abrão, que se estende a Moisés e Josué, trata-se de um pedaço de terra chamado Canaã, a famosa Terra Prometida, que hoje chamam de Terra Santa. Localiza-se nas planícies costeiras do Mediterrâneo oriental, mais tarde veio a ser chamada de Filístia, antes disso, Palestina. Palestina e Filístia são, sem dúvida, cognatos. Os hebreus estavam muito ansiosos em habitar esta terra, não obstante, foi promessa de Deus.
O problema é que ao chegarem nesta terra, ela estava habitada por vários povos, e a promessa de Deus é que Israel lutaria contra esses povos e prevaleceria. Deus concedeu a terra a eles, mas, teriam que lutar para conquistá-la. Para constar, estamos falando de uma terra com aproximadamente 150 km de cumprimento e 70 km de largura, estendendo-se mais tarde no reinado de Davi e Salomão.
Para que tudo corresse bem e para que o futuro de Israel fosse tranqüilo, Deus estabeleceu uma ordenança muito importante:

“Mas, das cidades destes povos, que o Senhor teu Deus te dá em herança, nada que tem fôlego deixarás com vida; antes destruí-los-ás totalmente: aos heteus, aos amorreus, aos cananeus, aos perizeus, aos heveus, e aos jebuseus; como o Senhor teu Deus te ordenou; para que não vos ensinem a fazer conforme todas as abominações que eles fazem a seus deuses, e assim pequeis contra o Senhor vosso Deus (Dt. 20:16-18).

Analisando a história do povo durante a conquista de Canaã, iremos descobrir que as ordens do Senhor não foram cumpridas a risca (Js. 9:22-27 / 11:22 / 13:13 / 15:63 / 17:12-13). O desfecho da conquista se encontra nas palavras de Josué no capítulo 23:11-13:

“Portanto, cuidai diligentemente de amar ao Senhor vosso Deus. Porque se de algum modo vos desviardes, e vos apegardes ao resto destas nações que ainda ficam entre vós, e com elas contrairdes matrimônio, e entrardes a elas, e elas a vós, sabei com certeza que o Senhor vosso Deus não continuará a expulsar estas nações de diante de vós; porém elas vos serão por laço e rede, e açoite às vossas ilhargas, e espinhos aos vossos olhos, até que pereçais desta boa terra que o Senhor vosso Deus vos deu”.

Este resto das nações, também conhecidas como “povos do mar” são justamente o atual povo palestino, que briga pela terra alegando que já estavam lá quando os israelitas chegaram. Os filisteus (palestinos) se tornaram os maiores inimigos do povo hebreu no decorrer da história, e isso perdura até os dias atuais segundo a palavra de Deus citada acima. Quem não se lembra do gigante Golias (filisteu), que foi derrotado pelo jovem hebreu Davi. Já o povo de Israel, argumenta que a terra é deles, porque foi o Senhor Deus quem deu esta terra por promessa e herança. Dentro desta hermenêutica temática, temos o início do conflito, que infelizmente para ambos, perdura até os dias atuais.

4 comentários:

  1. Prezado amigo,
    Além das razões religiosas encontradas para a diáspora dos hebreus das terras palestinas em épocas bíblicas, existem as razões históricas calcadas na ambição do homem em todos os tempos: as terras da antiga Fenícia, ocupada em outros tempos por tribos dos hebreus, foram alvo de cobiça e domínio de persas, gregos, romanos. Em tempos mais atuais, ingleses liderando decisões da ONU outorgaram terras que não eram deles aos israelenses sem consultar os palestinos que já ocupavam o local há milênios. Não estou aqui dando razões a palestinos ou a judeus, sim fatos históricos de ingerências de impérios que têm interesses outros na disputa daquele local sagrado por três religiões. É sempre o homem armando discórdias em nome de interesses vis contra as decisões sempre acertadas de Deus.
    Um abraço,
    Luiz Antonio de Melo Albuquerque
    Bauru SP

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  2. Eu penso que a origem do conflito é anterior a isto. Penso que a culpa é de Abrão, e de Sara, que não esperando a promessa de Deus de ter um filho, resolveu oferecer a seu marido a sua escrava para coabitar com ele, e assim nasceu Ismael que é o pai dos Ismaelitas e que originou os palestinos que agora brigam com Israel. Sara seria a culpada direta e Abrão culpado por como chefe do lar não ter rejeitado a proposta da esposa, e assim sendo não confiaram em Deus. Foi o que sempre entendi, mas o seu artigo é muito bom. Parabéns

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  3. Prezado Luiz,

    Você tem razão ao lembrar a história, afinal, ela é ingrediente sempre presente em qualquer assunto. No contexto bíblico, encontramos razões sólidas do início do conflito, ou seja, habitar na terra. Nos dias de hoje, os motivos são bem diferentes, como você mesmo sugeriu.

    Abraços Fraternos,

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  4. Olá Samah,

    O seu comentário é muito oportuno, pois estou escrevendo sobre isso neste momento. A situação bíblica que você sugere acima, gerou a nação árabe e não a palestina. Ismael, tornou-se forte e poderoso como o próprio Deus anunciou a Hagar, e ele fundou esta nação chamada Arábia.

    Abraços Fraternos,

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