quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A Hermenêutica e o Tempo

Ainda que professando Jesus, é natural e nada incomum percebermos a diferença entre os religiosos, no que diz respeito ao entendimento da revelação interpretativa da Bíblia. Considerando o pressuposto de que a palavra de Deus possui interpretação única, e não há várias interpretações da palavra de Deus, resta o corrupto entendimento do coração do homem, que ambiciona ser o intérprete da santa palavra. O ensinamento sobre a prática das Escrituras tem sido bastante distorcido e nada diferente são as discussões insensatas sobre a observância da revelação interpretativa que consta na Bíblia.
Há uma permissividade de Deus a respeito destas discussões, não obstante, o propósito claro das Escrituras é que todos cheguem ao entendimento único, deixando os velhos conceitos, concebidos num passado remoto e sem objetividade bíblica. Quando o entendimento cria resistência para o presente, pessoas passam a levar uma vida enclausurada numa espécie de paradigma saudosista, onde não resta mais espaço para o novo conhecimento que na verdade é antigo, quer dizer bíblico.
Quando as pessoas são ensinadas a respeito de uma determinada “verdade bíblica” e se entregam a ela, se torna difícil a dispensação deste aprendizado errôneo, isso ocorre pelo tempo de convivência com o erro, o que faz da falácia, um modo de vida. Ora, necessário será recorrer as Escrituras e mesmo assim, será um árduo trabalho para o hermeneuta que deseja a verdade. Por este motivo a hermenêutica precisa da ajuda da maiêutica socrática, uma vez que precisará destruir os conceitos infundados e egoístas, para refazer o pensamento dentro de uma perspectiva genuína bíblica e não mais com preleções paradigmáticas, egocêntricas, existencialistas e miseráveis.
A maior dificuldade do ensino hermenêutico é o de levar a pessoa a abrir a sua mente para ouvir os ensinamentos bíblicos com exatidão, conferindo o que esta escrito na santa palavra de Deus, e não apenas com os ouvidos. É prioridade entender que poderá causar um tremendo choque, confrontar-se com a verdade, isto significa, admitir que nem tudo que se tem pensado e praticado é bíblico, logo, a vivência anti-bíblica precisará ser extrinsicada, e a concepção daquilo que é novo poderá trazer uma espécie de arrebatamento da fé, que foi moldado por um período de ignorância hermenêutica e desprezo do conhecimento. O desfeche da concepção ideal, é incumbência do hermeneuta bíblico, não que ele esteja acima da verdade, mas deseja caminhar com ela, levando consigo o máximo de interessados possível.
Muitas pessoas estão a muitos anos vivendo uma inverdade, por desconhecerem as Escrituras e não conferirem na Bíblia, aquilo que os seus líderes têm ensinado. O hermeneuta deseja levá-los a única regra de Fé e prática confiável, quer dizer, “a santa e bendita palavra de Deus”. Entendendo que agora levará um tempo para que o religioso se liberte do seu martírio, ou finalmente fuja da sua “caverna de Platão“, o hermeneuta precisará executar com deliberação o fruto da longanimidade.
Existe apenas uma maneira de se libertar dos ensinos errôneos do passado e acertar com Deus; conhecendo e conferindo os ensinamentos nas escrituras sagradas. Deus não propôs pontos de vista diferentes em relação a Bíblia, a visão é única, e somente uma analise dentro de uma perspectiva bíblica e com pressupostos da revelação da bíblia, poder-se-a encontrar-se com a verdade e acertar com Deus. Paciência com os que vivem no engano é necessária, a libertação dos erros interpretativos e falácias exegéticas virão certamente com o tempo e não pela força ou pela raiva. Olhar para a Bíblia com olhos que desejam aprender é outra coisa... é coisa melhor.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Deus Conhece Nossas Dores

A globalização nos levou a uma conexão quase imediata com a informação, e todos os dias compartilhamos um pouco da dor que toda criação tem sentido. As pessoas estão sofrendo. O limite da fraqueza humana é superado quando se enfrenta batalhas todos os dias, e quase sempre as pessoas estão dependendo do livramento de Deus para suas vidas. Certamente Deus tem dado grande livramento, até mesmo, e normalmente, sem que se perceba... Deus trabalha no silêncio. Mas, por que as pessoas enfrentam tantas lutas e aflições e muitas vezes sofrem tanto até que o livramento de Deus aconteça? Deus tem o livramento para as vidas e não quer que a sua criação viva soterrada por lutas e aflições, não obstante, as lutas e provações fazem parte do processo de aprendizado.
Deus sabe que sua obra prima esta sofrendo, porém, é o dedo na ferida que trará a cura e o refrigério para os aflitos. Davi fala sobre a postura adequada diante da situação de perigo e sofrimento: (Salmo 121) "Elevo os meus olhos para os montes; de onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra". Quando a criação recebe o Criador através da pessoa de Jesus e entra para o Reino de Deus, acontece a descoberta que vivemos uma guerra e temos um inimigo declarado. Ele usa armas contra nós e quer nos destruir, mas, Deus está conosco nesta batalha e por isso podemos descansar, "porque maior é aquele que esta em nós, do que aquele que esta no mundo". A guerra que já existia e que lutávamos alienados, agora nos foi revelada pelo amor daquele que é Soberano. O salmista mostra qual deve ser o nosso olhar diante da batalha: “Olhar para o Senhor, Dele vem o socorro". O Senhor está conosco, somente Ele nos ama. Esse Deus é grande e poderoso, muito maior que o inimigo, e suas armas são poderosas nas mãos daqueles que o temem... Deus é maior. Mesmo durante as lutas, Deus esta trabalhando pelo seu povo e logo o livramento virá. No momento da dor e do sofrimento, é salutar dar ouvidos a voz da boa e santa palavra de Deus: "não temas, creia somente", porque, "nem olhos viram, nem ouvidos ouviram o que Deus preparou para nós".

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Os Filhos Devem Obedecer Aos Pais?

Na maravilhosa inconstância da adolescência, surgem os quase insuportáveis conflitos entre pais e filhos. O apogeu da discussão sempre culmina na frase que já se tornou um famoso jargão “A vida é minha”. Mas, será mesmo? Enquadrando a situação num pressuposto antropológico pode ser verdade. Se assumirmos como background a gênese do paradigma, a vida pertence aquele que a gerou, ou seja, Deus. Porém, o pressuposto que entedia os filhos, e privilegia os pais, é a autoridade patriarcal e/ou matriarcal, onde a exigibilidade concentra-se no fato em que os filhos sejam obedientes aos pais.
Apesar do dissabor que este fato insere na realidade dos filhos, da resistência que os mesmos têm demonstrado diante do assunto, e entendendo que a sociedade pode estar vivendo uma demagogia egocêntrica e arcaica, o fato é que a autoridade dos pais ainda é salutarmente modelar. Diante desta realidade perturbadora, a reflexão fica sobre o seguinte desacordo: “Os filhos devem obedecer aos pais até quando?” Faremos uma reflexão exegética hermenêutica, sobre o texto que esta na carta do apóstolo Paulo aos efésios capítulo seis verso um, e saberemos o que a santa palavra de Deus orienta aos pais e filhos sobre esta controvertida questão.

“Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo”.

O contexto do nosso texto e objetivo deste estudo, tem início no capítulo cinco verso vinte e dois e se estende até o capítulo seis verso nove. Não obstante ao contexto, devemos estar atentos ao nosso foco de estudo, apresentado no texto acima. O novo testamento foi escrito na língua grega, e este idioma tem a sua preciosidade quanto a gramática, uma vez que é bem específico, e não usa a mesma palavra para informar situações diferentes. Recentemente escrevi um artigo no blog falando sobre a importância da gramática na compreensão do texto, é por este caminho que o entendimento da interpretação deve se originar.
A palavra chave do texto acima é “filhos”, e a língua grega nos apresenta duas palavras distintas quando se refere a este termo. O primeiro termo é “Ulos” (filhos), este termo é usado para se referir aos filhos independentes. Na concepção grega, um filho independente é aquele que ultrapassou a maioridade e não exerce dependência alguma em relação aos pais. Alcançar a maioridade somente, não torna o filho independente, ele precisará usufruir de sustentabilidade própria e se desvincular totalmente dos pais em todos os aspectos. Este termo “Ulos”, não esta registrado no texto acima, porque um filho independente não deve obediência aos pais, e sim honra. O filho independente esta livre da obediência em todos os seus aspectos, porém, deverá honrar os pais conforme o mandamento do Senhor.
No afã de elucidar o texto acima, continuaremos com a exegese bíblica que apoiada pela hermenêutica, nos trará alumiação. A palavra grega para o texto acima á “Teknon” (filhos), termo usado para se referir aos filhos dependentes. No sentido vernáculo, um filho dependente é aquele que não atingiu a maioridade e não adquiriu sustentabilidade própria. Este filho é aquele que ainda depende dos pais para sobreviver em todos os aspectos. Ainda que tenha atingido a maioridade, ou mesmo casado e com filhos, se exerce a posição de um filho “teknon” (dependente), ele deverá continuar a obedecer a seus pais em tudo.
Quando abrimos o leque contextual e permitimos que a hermenêutica exerça o seu papel interpretativo do texto, fica notório que a intenção do hagiógrafo, foi lançar um ensinamento para toda a família, esclarecendo o papel da esposa, do esposo e dos filhos no relacionamento familiar. Orientando com precisão os filhos que almejam a liberdade completa dos pais, que precisarão primeiro, atingir a maioridade, trabalhar, exercer sustentabilidade própria e honrar os pais para que estejam enraizados nas Escrituras. Em qualquer situação do filho em relação aos pais, a Bíblia é firme em revelar, “Honra o teu pai e a tua mãe”.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A Maturidade Emocional e a Hermenêutica

A inclinação deste blog esta alicerçada em questões hermenêuticas, e reflexões sobre temas que coadunam com este presuposto. Mas, como elevar o grau maiêutico quando o emocional esta afetado, e a maturidade é interrompida. Adquirir um perfeito equilíbrio emocional é um objetivo constante na vida de todo aquele que caminha para o ministério junto a Deus. Para ter sucesso dentro de um ministério, é necessário que haja um equilíbrio em todas as áreas da vida: pessoal, profissional, familiar, social, e principalmente espiritual. É o que chamamos de qualidade de vida.
Talvez, o maior de todos os desafios, seja vencer os fracassos e traumas emocionais vivenciados no passado.
No livro "Cura para os traumas emocionais" o autor discorre uma série de passos que levarão as pessoas a construir uma vida emocional sadia, vencendo os traumas emocionais do passado, reconquistando o confiança em si próprio e preparando a pessoa para desenvolver um ministério sadio e proveitoso.
Alcançar a maturidade emocional dentro de um ministério cristão seria o ápice de um ministério bem sucedido, de um bom relacionamento com Deus e de um ótimo relacionamento consigo mesmo.
Vencer os traumas emocionais, ou seja, a derrota, os fracassos vivenciados no passado, é um desafio impossível de se conquistar, se não houvesse a intervenção de Deus Pai na nossa vida. Lembremo-nos também que Deus capacitou pessoas, para que, de alguma forma estejam ajudando outras pessoas.
Para se obter sucesso na área emocional, é necessário quebrar alguns “tabus”, que foram introduzidos na mente da pessoa a ponto de se tornarem uma verdade absoluta. Alguns traumas emocionais que nos circundam, é devido a uma má formação familiar, ensinamento errado dos pais, ou da própria igreja. Existem por exemplo algumas igrejas que ensinam assim: Toda depressão é maligna, vinda de Satanás que está na pessoa; estas igrejas não levam em conta o passado da pessoa e as suas limitações.
No livro cura para os traumas emocionais, o autor explica que o ser humano é uma pessoa, uma máquina que trabalha baseada no seu presente e principalmente estruturada pelo seu passado. Algumas situações ou circunstâncias que acontecem no dia a dia, nos fazem lembrar coisas ruins que ficaram no nosso passado, e acabam por refletir nas atitudes do presente.
Para vencer os traumas emocionais, para obter a cura interior é necessário primeiramente crer que Deus é poderoso para quebrar as correntes que prendem uma vida as experiências dolorosas do passado. Depois, é necessário com a ajuda de uma pessoa capacitada, encarar esses traumas e resolvê-los frente a frente, para que desta forma sejam definitivamente curados.
Se à auto-estima da pessoa estiver muito baixa, isto irá diretamente refletir no seu ministério. É necessário, portanto que a pessoa caminhe para cura destes traumas, a ponto de se ver livre deles, para que desta forma tenha uma qualidade de vida melhor, e conseqüentemente um ministério mais produtivo.
No livro "a estatura de um homem espiritual", o autor destaca as qualidades que um homem de Deus necessita ter para executar um bom ministério perante a presença de Deus e dos homens. Estas qualidades ou requisitos que o autor cita neste livro, embora sejam totalmente baseadas nos textos bíblicos, as pessoas não terá condições de alcançá-los, se não tiver uma vida emocional equilibrada. Quando uma pessoa se coloca à disposição de Deus para executar um ministério, ela necessita antes de tudo estar bem consigo mesma, confiando em si própria, e tendo uma auto-estima em dia, e é claro, estar em comunhão com o Pai, com seus líderes e com a igreja.
Veja, que tudo é um processo que muitas vezes poderá ser lento, no entanto, poderá ser realizado pela pessoa que se dispõe a reconhecer que necessita de uma ajuda profissional. Ora, é claro que Deus é supremo em todas as coisas, e é óbvio que Ele é poderoso para curar todos os traumas, mas não podemos nos esquecer também que Ele, o próprio Deus capacitou o homem aqui na terra para o ajudarem em determinadas áreas.
A estatura de um homem espiritual é a estatura do homem que a Bíblia declara, e existem na Bíblia vinte requisitos que Deus exige para que um homem alcance a estatura de um homem espiritual: Irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar, não dado ao vinho, não arrogante, não irascível, não violento, inimigo de contendas, cordato, não avarento, que governe bem a sua própria casa, tenha bom testemunho dos de fora, amigo do bem, justo, piedoso e que não seja neófito.
Todos esses requisitos, ou qualidades destacadas pela Bíblia só poderão se tornar realidade dentro de um ministério, a partir do momento que a pessoa seja curada dos seus traumas emocionais, dos seus traumas interiores.
Liderar um ministério, ou o liderar um grupo de pessoas, é um trabalho separado para um homem que permanece nos mandamentos de Deus. No livro "o estilo de liderança de Jesus", o autor destaca algumas das virtudes que o nosso Senhor Jesus usava para liderar o seu grupo.
Iremos notar, se analisarmos bem os evangelhos, que Jesus exercia uma liderança dotada de autoridade e determinação, nunca fora necessário na liderança de Jesus, gritar com seus discípulos ou apóstolos, nunca fora necessário colocá-los de castigo, ou excluí-los do meio da sua convivência.
O estilo de liderança de Jesus era o estilo de liderança que somente um homem com a estatura de um homem espiritual poderia tê-las. Embora Jesus obtivesse totalmente os requisitos que um homem de Deus necessitasse ter para cumprir o seu ministério perante o Pai.
Desenvolver as boas qualidades de um bom líder requer, antes de tudo, uma profunda intimidade com as Escrituras Sagradas. É necessário que o homem de Deus conheça antes de tudo, quem é o seu Deus e aquilo que Ele deseja homem a respeito do ministério. O Senhor Jesus tinha um equilíbrio emocional, apesar de todas as circunstâncias, apesar de ser ridicularizado por muitas vezes, embora não fosse querido em algumas de suas curas, apesar de ser até mesmo abandonado pelos seus melhores amigos no momento mais difícil de sua vida terrena, ele não perdeu a “estatura de um homem espiritual”.
Para executar o serviço do Senhor é necessário ter coragem para enfrentar qualquer batalha de liderança, e daí porque se torna indispensável que a pessoa que almeja o ministério cristão tem que estar disponível para conquistar o equilíbrio emocional na sua vida.
A pessoa que se propõe a trabalhar para Deus poderá passar por situações dentro da igreja onde os membros estarão sofrendo de uma ou de outra maneira. Eles têm problemas reais e urgentes. Tem interrogações, perguntas, que parecem difíceis de responder. Nesta hora o ensino ou sermão apresentado, terá que mostrar respostas às necessidades deles, falando aos seus problemas, confortando os seus corações.
No livro "Pregando sobre os problemas da vida" o autor relata que o líder ministerial terá de ter um preparo não somente bíblico, mas também emocional para poder satisfazer as necessidades dos seus membros, usando do poder da Palavra de Deus e do seu preparo ministerial. Para falar sobre os problemas da vida e principalmente sobre a solução desses problemas, não basta apenas citar alguns versículos bíblicos, ou usar certos chavões, do tipo: “Jesus te ama”. É necessário muito mais que isso, se faz mister, que o obreiro tenha passado sim, por muitos problemas emocionais em sua vida, mas, que obteve a cura emocional dos seus traumas de forma que assim esteja apto para ensinar os seus membros ou seus alunos a livrar-se de um destes problemas.
A vida de uma pessoa não é formada de uma teoria, mas de experiências reais, de problemas reais, que exigem soluções reais e imediatas. O líder cristão deve ser totalmente livre e estar lutando para se tornar livre dos seus traumas emocionais.
Não se pode viver além daquilo que se acredita. No capítulo sete do livro "Vitória sobre a escuridão", o autor começa dizendo que o líder cristão terá o seu sucesso mediante aquilo que ele acredita. Veja, o Senhor Jesus através da sua palavra nos ensinou que, se tivermos fé, mandaremos um monte sair do seu lugar e eles sairão, tudo então passa a ser espiritual, se eu creio que posso, então certamente farei.
É necessária, que o líder cristão reconheça o poder da sua identidade em Cristo, esta é a promessa de Jesus para o homem, a promessa de que hoje se viverá gloriosamente. Mas, o que tem te impedido de realmente caminhar na alegria do Senhor? Muitas das vezes o líder cristão tem um bom conhecimento da Palavra de Deus, e uma vida de oração aceitável, em comunhão com o corpo de Cristo, mas, alguma coisa ainda parece errada para que ele atinja a estatura de um homem espiritual.
Se algum homem de Deus tem passado por uma situação semelhante a esta, podemos então seguramente afirmar que existe algo em sua mente que necessita mudar. Usando de um tratamento adequado, sua vida ministerial será totalmente transformada, e sua vida pessoal será curada dos traumas emocionais que ficaram no passado.
É necessário dizer e até alertar que não há para onde fugir, quando se tem problemas emocionais. A única solução é encararmos o problema, se possível, com a ajuda de um especialista, e crendo no poder do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que pode todas as coisas.
O aconselhamento cristão procura ajudar as pessoas a enfrentarem o presente, resolvendo os conflitos do passado.
Naturalmente, muitas são as pessoas que passam por este tipo de problema, isto podemos dizer em relação a todas as pessoas que habitam neste planeta. Porém estamos dirigindo este assunto diretamente aos cristãos, principalmente aqueles que já desenvolvem um ministério dentro da igreja.
Precisamos antes de tudo, entendermos algumas coisas que esquecemos quando nos tornamos crentes ao Senhor Jesus: Continuamos a sermos pessoas; seres humanos imperfeitos, falhos e pecadores. Caminhamos para a estatura de varão perfeito? Sim. Somos perfeitos? Não. Portanto, lembremo-nos do apostolo Paulo, que em certo momento do seu ministério parou e observou (talvez levado por uma profunda tristeza) que tudo aquilo que ele mais queria fazer ou realizar, ele não estava conseguindo, aquilo, no entanto que ele mais detestava, ele fazia. Veja então, Paulo foi um homem de Deus admirável, que até os dias de hoje tem nos ensinado tantas coisas através das suas cartas, mas que também errava a ponto de perturbá-lo tanto, que mencionou isto em uma de suas cartas.
No final do seu lamento, O apostolo Paulo nos dá o alivio da solução para o seu e o nosso problema, “A misericórdia do Senhor Jesus”. Seja qual for o problema emocional, Jesus pode curar todas as feridas. Com o emocional equilibrado haverá maturidade, e a hermenêutica certamente prosperará.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Que Faz da Bíblia um Livro Tão Único?

No desenvolvimento da intelectualidade, obras literárias magníficas, ou nem tanto, tem sido alvo dos especialistas, os assuntos são dinâmicos e muitas vezes contagiantes. Não obstante a isso, a Bíblia continua sendo e sempre será a única comunicação escrita de Deus com o homem, é uma obra prima e visivelmente única. De uma forma miraculosa e surpreendente, Deus inspirou homens (mais de quarenta autores) a escreverem a sua mensagem de uma forma precisa e coesa (por volta de hum mil e quinhentos anos), revelando ao mundo de uma maneira progressiva e paulatina toda a doce, sublime e agradável vontade de Deus para o homem. A Bíblia é a carta de amor pessoal de Deus para a sua criação, é a maior expressão de amor e carinho do Pai, é inefavelmente constrangedor este amor, expressão que só poderia vir de Deus.
É mister considerá-la de alguma forma menos do que se considera uma carta de pessoas que muito se preza, ou até mesmo quem se ama? Todas as respostas as perguntas mais profundas da alma humana, estão intrinsícadas na santa palavra de Deus. Aquele que é contemplado a desvendar a Bíblia como uma carta de amor pessoal do seu Criador e também Salvador aprenderá muito no deleite destas páginas sagradas. A Bíblia é completamente merecedora de confiança, porque não é obra de mãos humanas. Este livro faz afirmações e predições fantásticas, suas histórias e ensinamentos se comprovam a cada dia e ela continua merecedora de confiança, porque é o livro que nos dá conhecer a Deus. A Escritura não pode ser anulada (João 10: 35). A palavra absoluta do Deus absoluto é autoridade absoluta para o homem que anseia um encontro. Se Deus não é merecedor de confiança, se a sua palavra é duvidosa, então, não nos resta mais nada. A Bíblia não é um livro de fábulas artificialmente composto, mas, uma firmíssima palavra de profetas (2Ped. 1: 16, 19), nenhum outro livro goza de tal distinção, a Bíblia é única. A Bíblia é inesgotável. A Bíblia é como uma mina de tesouros, infinitamente profunda, esta sempre convidando as pessoas para mais um desafio de observação, interpretação, correlação e aplicação. Esta foi à reflexão de Santo Agostinho ao escrever ao seu filho em 412 d.C.
“Tal é a profundidade das Escrituras cristãs, que mesmo que eu estivesse a tentar estudá-las, e mais nada, desde a tenra meninice até á velhice decrépita, com o maior vagar, com o mais incansável zelo e talentos maiores que os que possuo, estaria ainda diariamente a fazer progressos na descoberta dos seus tesouros”.
A Bíblia é uma fonte de conhecimento inesgotável, ela se renova a cada página virada, porque ela fala de verdades infinitas, eternas e misteriosas, que não são complemente captadas pelas mentes finitas e corrompidas, mas, que recebem a iluminação do Santo Espírito para abrir o entendimento do homem. Moody disse: “Os homens que melhor conhecem a Bíblia acham-na sempre nova”. Leia e se apaixone pela Bíblia, ela é apologeticamente única.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A Maiêutica Socrática e a Hermenêutica Bíblica

A pedagogia tem se esmerado para acertar o alvo em relação ao aprendizado do discente, o Mitte (centro) do propósito, é que o assunto seja realmente compreendido. Além do necessário conhecimento do docente, o esmero do saber encontra-se com a condição de ensinar bem e de forma correta, parafraseando Martyn Lloyd Jones, devemos ser sinceros e corretos ao ensinar. Este desejo tem motivado cada dia mais os docentes, a descobrirem ou recriarem novas metodologias de ensino, e, com isso, os discentes agradecem.
Dentre as metodologias pedagógicas existentes, confesso a minha inclinação para o método maiêutico de Sócrates. Nas palavras de Platão, ele (Sócrates) assim denominou o seu método, que no sentido comum significa parto, acredita-se que esta nomenclatura seja uma homenagem a sua mãe, pois era parteira. Sócrates considerava que o aluno deve “parir” suas próprias idéias, e para isso, o filósofo dialeticava exaustivamente os seus catecúmenos, até que chegassem a compreensão de que não sabiam a resposta plena do assunto, o que os levava a um desejável grau maiêutico, considerando a declaração célebre deste pensador “só sei que nada sei”. Este pensamento garantiu a Sócrates dentro da mitologia grega, o título honorífico de “o homem mais sábio”, segundo o “Oráculo”.
Contrariando a premissa de que o docente deve entregar a resposta pronta ao aluno, Sócrates entendia que o papel do mestre era o de levar o aluno a buscar suas próprias respostas, transformando-o em um pensador. Não omito a minha inclinação a utilização deste método, porque ele liberta o aluno dos paradigmas e enclausuros de um determinado intelectual, para buscar um universo de conhecimento que lhe é próprio. Platão, que foi um excelente discípulo, segue o mesmo caminho ao propor “O Mito da Caverna de Platão”, onde ilustra a necessidade do homem liberta-se de conceitos formados e obsoletos. Não obstante, o apóstolo Paulo nomeia como “fábulas” de “velhas caducas”, “doutores” que se recusam a examinar novas perspectivas e vivem de um farisaísmo saudosista.
Este ambiente maiêutico é contundente e se mostra muito favorável a prática da hermenêutica bíblica, onde a formação adequada é de hermeneutas pensadores e não de seguidores vazios e sem vontade própria. Os questionamentos são amigos do conhecimento e do crescimento bíblico e consequentemente espiritual. Saber dar razão da fé, quer dizer por si mesmo e não pela boca ou pensamento de outros, ainda que tenham razão. O ensinamento da hermenêutica deve conduzir o discente a um aprendizado que o transforme em um pensador, um construtor intelectual. Por este motivo a hermenêutica se volta para a Bíblia somente, não aceitando qualquer tipo de inserção e dispensando completamente o “conquistador exegético”. A hermenêutica e a maiêutica trabalham de forma harmoniosa, intencionando levar o discente da palavra a pensar por si, enamorando a santa e agradável palavra de Deus.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Método Gramático-Histórico

No decorrer da história da hermenêutica, muitos métodos de interpretação foram criados, visando facilitar a compreensão do texto sagrado. Destacando-se entre os demais, temos o método gramático-histórico, que acredito ser o mais eficaz na compreensão da santa palavra. Este método acredita na inerrância da Bíblia e portanto aceita sua historicidade e veracidade, ele procura entender sua mensagem à época e aplicá-la aos nossos dias.
Uma derrocada dos métodos interpretativos é mais do que certo, enquanto outros coadunam com a efemeridade dos seus hagiógrafos. Diante de tentativas interpretativas e boa vontade, as impropriedades teológicas não são poucas.
O método gramático-histórico, cujos pressupostos e procedimentos interpretativos básicos, estão alicerçados num fundamento imutável, preserva a sua contemporaneidade.
O método gramático-histórico é imperativo na tentativa de compreender os dados bíblicos por meio de considerações metodológicas derivadas somente das Escrituras. Este método objetiva extrinsecar o significado correto das Escrituras que Deus planejou comunicar, sendo plenamente compreendido pelo autor humano e seus contemporâneos ou não. Este método é fundamentado em alguns pressupostos necessários.

Pressupostos básicos do método gramático-histórico:

(1) Somente a Bíblia: A autoridade e a unidade das Escrituras são tais que a Escritura é a norma final com respeito ao conteúdo e ao método de interpretação.
(2) A Bíblia é a autoridade suprema e não está sujeita ao princípio da crítica. Os dados bíblicos são aceitos com seu valor de face e não estão sujeitos a uma norma externa para determinar confiabilidade, adequação, inteligibilidade.
(3) Rejeição do princípio da analogia, pois se admite a atividade singular de Deus, descrita na Escritura e no processo de formação da Escritura.
(4) Rejeição do princípio da correlação, pois admitimos a intervenção divina na história como descrita na Escritura.
(5) Unidade da Escritura. Uma vez que os diversos autores foram guiados por um único autor divino, a Escritura pode ser comparada com Escritura para formular doutrina.
(6) Natureza transtemporal da Escritura. Deus fala através do profeta para uma cultura específica, contudo a mensagem transcende os condicionamentos culturais como verdade eterna.
(7) O elemento divino e humano das Escrituras não pode ser separado.

Procedimentos Hermenêuticos Básicos do método gramático-histórico:

(1) Contexto Histórico. Tentativa de compreender o pano de fundo histórico contemporâneo no qual Deus se revelou.
(2) Análise literária. Exame das características literárias do material bíblico em sua forma canônica.
(3) Análise teológica dos livros bíblicos. Um estudo da ênfase teológica de cada hagiógrafo da Bíblia, examinado no contexto mais amplo da unidade de toda a Escritura. Isto permite que a Bíblia seja sua própria intérprete e as várias ênfases teológicas estejam em harmonia umas com as outras.
(4) Análise diacrônica. É a tentativa de traçar o desenvolvimento dos vários temas e motivos cronologicamente através da Bíblia em sua forma canônica.

Tal análise metodológica pressupõe uma noção bíblica da revelação, segundo a qual Deus progressivamente concedeu mais luz às gerações posteriores sem contradizer a revelação anteriormente concedida, tendo Cristo como ápice desta Revelação. O entendimento da revelação, somente poderá ser esclarecido através de um método funcional. Portanto, a escolha do método é fundamental para uma salutar hermenêutica.