quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A Hermenêutica e o Tempo

Ainda que professando Jesus, é natural e nada incomum percebermos a diferença entre os religiosos, no que diz respeito ao entendimento da revelação interpretativa da Bíblia. Considerando o pressuposto de que a palavra de Deus possui interpretação única, e não há várias interpretações da palavra de Deus, resta o corrupto entendimento do coração do homem, que ambiciona ser o intérprete da santa palavra. O ensinamento sobre a prática das Escrituras tem sido bastante distorcido e nada diferente são as discussões insensatas sobre a observância da revelação interpretativa que consta na Bíblia.
Há uma permissividade de Deus a respeito destas discussões, não obstante, o propósito claro das Escrituras é que todos cheguem ao entendimento único, deixando os velhos conceitos, concebidos num passado remoto e sem objetividade bíblica. Quando o entendimento cria resistência para o presente, pessoas passam a levar uma vida enclausurada numa espécie de paradigma saudosista, onde não resta mais espaço para o novo conhecimento que na verdade é antigo, quer dizer bíblico.
Quando as pessoas são ensinadas a respeito de uma determinada “verdade bíblica” e se entregam a ela, se torna difícil a dispensação deste aprendizado errôneo, isso ocorre pelo tempo de convivência com o erro, o que faz da falácia, um modo de vida. Ora, necessário será recorrer as Escrituras e mesmo assim, será um árduo trabalho para o hermeneuta que deseja a verdade. Por este motivo a hermenêutica precisa da ajuda da maiêutica socrática, uma vez que precisará destruir os conceitos infundados e egoístas, para refazer o pensamento dentro de uma perspectiva genuína bíblica e não mais com preleções paradigmáticas, egocêntricas, existencialistas e miseráveis.
A maior dificuldade do ensino hermenêutico é o de levar a pessoa a abrir a sua mente para ouvir os ensinamentos bíblicos com exatidão, conferindo o que esta escrito na santa palavra de Deus, e não apenas com os ouvidos. É prioridade entender que poderá causar um tremendo choque, confrontar-se com a verdade, isto significa, admitir que nem tudo que se tem pensado e praticado é bíblico, logo, a vivência anti-bíblica precisará ser extrinsicada, e a concepção daquilo que é novo poderá trazer uma espécie de arrebatamento da fé, que foi moldado por um período de ignorância hermenêutica e desprezo do conhecimento. O desfeche da concepção ideal, é incumbência do hermeneuta bíblico, não que ele esteja acima da verdade, mas deseja caminhar com ela, levando consigo o máximo de interessados possível.
Muitas pessoas estão a muitos anos vivendo uma inverdade, por desconhecerem as Escrituras e não conferirem na Bíblia, aquilo que os seus líderes têm ensinado. O hermeneuta deseja levá-los a única regra de Fé e prática confiável, quer dizer, “a santa e bendita palavra de Deus”. Entendendo que agora levará um tempo para que o religioso se liberte do seu martírio, ou finalmente fuja da sua “caverna de Platão“, o hermeneuta precisará executar com deliberação o fruto da longanimidade.
Existe apenas uma maneira de se libertar dos ensinos errôneos do passado e acertar com Deus; conhecendo e conferindo os ensinamentos nas escrituras sagradas. Deus não propôs pontos de vista diferentes em relação a Bíblia, a visão é única, e somente uma analise dentro de uma perspectiva bíblica e com pressupostos da revelação da bíblia, poder-se-a encontrar-se com a verdade e acertar com Deus. Paciência com os que vivem no engano é necessária, a libertação dos erros interpretativos e falácias exegéticas virão certamente com o tempo e não pela força ou pela raiva. Olhar para a Bíblia com olhos que desejam aprender é outra coisa... é coisa melhor.

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