quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A Maiêutica Socrática e a Hermenêutica Bíblica

A pedagogia tem se esmerado para acertar o alvo em relação ao aprendizado do discente, o Mitte (centro) do propósito, é que o assunto seja realmente compreendido. Além do necessário conhecimento do docente, o esmero do saber encontra-se com a condição de ensinar bem e de forma correta, parafraseando Martyn Lloyd Jones, devemos ser sinceros e corretos ao ensinar. Este desejo tem motivado cada dia mais os docentes, a descobrirem ou recriarem novas metodologias de ensino, e, com isso, os discentes agradecem.
Dentre as metodologias pedagógicas existentes, confesso a minha inclinação para o método maiêutico de Sócrates. Nas palavras de Platão, ele (Sócrates) assim denominou o seu método, que no sentido comum significa parto, acredita-se que esta nomenclatura seja uma homenagem a sua mãe, pois era parteira. Sócrates considerava que o aluno deve “parir” suas próprias idéias, e para isso, o filósofo dialeticava exaustivamente os seus catecúmenos, até que chegassem a compreensão de que não sabiam a resposta plena do assunto, o que os levava a um desejável grau maiêutico, considerando a declaração célebre deste pensador “só sei que nada sei”. Este pensamento garantiu a Sócrates dentro da mitologia grega, o título honorífico de “o homem mais sábio”, segundo o “Oráculo”.
Contrariando a premissa de que o docente deve entregar a resposta pronta ao aluno, Sócrates entendia que o papel do mestre era o de levar o aluno a buscar suas próprias respostas, transformando-o em um pensador. Não omito a minha inclinação a utilização deste método, porque ele liberta o aluno dos paradigmas e enclausuros de um determinado intelectual, para buscar um universo de conhecimento que lhe é próprio. Platão, que foi um excelente discípulo, segue o mesmo caminho ao propor “O Mito da Caverna de Platão”, onde ilustra a necessidade do homem liberta-se de conceitos formados e obsoletos. Não obstante, o apóstolo Paulo nomeia como “fábulas” de “velhas caducas”, “doutores” que se recusam a examinar novas perspectivas e vivem de um farisaísmo saudosista.
Este ambiente maiêutico é contundente e se mostra muito favorável a prática da hermenêutica bíblica, onde a formação adequada é de hermeneutas pensadores e não de seguidores vazios e sem vontade própria. Os questionamentos são amigos do conhecimento e do crescimento bíblico e consequentemente espiritual. Saber dar razão da fé, quer dizer por si mesmo e não pela boca ou pensamento de outros, ainda que tenham razão. O ensinamento da hermenêutica deve conduzir o discente a um aprendizado que o transforme em um pensador, um construtor intelectual. Por este motivo a hermenêutica se volta para a Bíblia somente, não aceitando qualquer tipo de inserção e dispensando completamente o “conquistador exegético”. A hermenêutica e a maiêutica trabalham de forma harmoniosa, intencionando levar o discente da palavra a pensar por si, enamorando a santa e agradável palavra de Deus.

2 comentários:

  1. vc me ajudou com minha prova de filosofia e logo ajudou-me com outra prova de metafilosofia!

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  2. Sócrates deve ser invejado pelo seu conhecimento tão singular, no entanto, acredito que Sócrates tenha sido mais um orientador ou educador, pois ensinou o mundo a pensar.

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