segunda-feira, 13 de abril de 2009

O Palhaço e o Profeta

Vivemos intrinsícados numa verdadeira problemática eclesiástica contemporânea, “o púlpito”. Com os modismos e “novidades” constantes, os pregadores se rendem a quinze ou vinte minutos de pura diversão. Kierkegaard conta uma parábola que pode servir como ilustração para o que se quer dizer. Ele conta que um circo se instalou próximo de uma cidadezinha dinamarquesa. Este circo pegou fogo. O proprietário do circo vendo o perigo do fogo se alastrar e atingir a cidade mandou o palhaço, que já estava vestido a caráter, pedir ajuda naquela cidade a fim de apagar o fogo, falando do perigo iminente. Inútil foi todo o esforço do palhaço para convencer os ouvintes. Os aldeões riam e aplaudiam o palhaço entendendo ser esta uma brilhante estratégia para fazê-los participar do espetáculo. Quanto mais o palhaço falava, gritava e chorava, insistindo em seu apelo, mais o povo ria e aplaudia. O fogo se propagou pelo campo seco, atingiu a cidade e esta foi destruída.

De forma semelhante, muitas vezes, o pregador tem apresentado uma mensagem incompreensível aos ouvintes, talvez porque ela também seja incompreensível ao próprio pregador. As pessoas se acostumaram a brincar tanto com as coisas sagradas, que não conseguem descobrir o Sagrado em meio às brincadeiras. Esta geração de pregadores sobe ao púlpito e pensam que estão em algum tipo de picadeiro. Por outro lado, os ouvintes por não perceberem a diferença entre o palhaço e o profeta, reforçam este comportamento mutante através de aplausos. Deste modo, a profecia (pregação) torna-se motivo de um simples gostar ou não gostar e o circo perde um de seus talentosos componentes. Assim, compactua-se com a indiferença dos ouvintes, que, de certa forma, estão “cansados” da palavra “Evangelho”, sem que na realidade, tenham sido ensinados a respeito do Evangelho de Cristo. A avaliação da mensagem pregada fica restrita ao gostar ou não do ouvinte. Cria-se uma categoria arbitrária do que de fato é verdadeiro ou não a partir do gosto, como se este também não fosse afetado pelas conseqüências do pecado. Na realidade, o gostar ou não deve estar subordinado ao exame das Escrituras. Procedendo assim, descobrir-se-á, para surpresa, o quão o próprio gosto pode ser pecaminoso e inconseqüente.

O Evangelho é uma mensagem acerca de Deus, da sua glória e de seus atos salvadores, acerca do homem, do seu pecado e miséria, acerca da salvação e da condenação condicionada á submissão ou não a Cristo como Senhor de sua vida. Esta mensagem que envolve uma decisão na história ultrapassa a história, visto ter valor eterno. Portanto, não podemos brincar com ela, não podemos fazer testes, estamos falando de vida e morte eternas. Os ouvintes convidam e moldam os seus próprios pregadores. Se as pessoas desejam um bezerro para adorar, o ministro que fabrica bezerros logo é encontrado.

É preciso atenção redobrada para não cairmos nesta armadilha já que não é difícil confundir os efeitos de uma mensagem com o conteúdo do que anunciamos; a pregação deve ser avaliada pelo seu conteúdo, não pelos seus supostos resultados.

Devemos nos lembrar de que o pregador não “compartilha” opiniões nem dá suas “opiniões” sobre o texto bíblico, nem faz uma paráfrase irreverente do texto, antes, ele prega a Palavra. O seu objetivo é expressar o que Deus disse através de seus servos. Pregar é explicar e aplicar a Palavra aos ouvintes. O aval de Deus não é sobre teorias e escolhas. Portanto, o pregador prega o texto, de onde provém a verdade de Deus para o seu povo.

O púlpito não é o lugar para se exercitar as opiniões pessoais e subjetivas, mas sim, para pregar a Palavra, anunciando todo o desígnio de Deus, sob a iluminação do Espírito. Sem a Palavra, o púlpito torna-se um lugar que no máximo, serve como terapia para aliviar as tensões de um auditório cansado e ansioso, em busca de alívio para as suas necessidades mais imediatamente percebidas. Ele pode conseguir o alivio do sintoma, mas não a cura para as suas reais necessidades.

2 comentários:

  1. Olá rabone.

    ótimo teu artigo...

    Fiquei em dúvida como nomear essas pessoas:
    "Pregadores palhaços" ou "Palhaços pregadores" ?

    Um abraço...

    Everton

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  2. Melhor mesmo, é escolher o que se deseja ser. Rss!!! E que sejam felizes em sua escolha.

    Abraços,

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