sábado, 9 de maio de 2009

O Livre arbítrio é Livre Para o Querer, não é Contudo Para o Efetuar.

No terceiro e último módulo sobre este assunto, nos envolvemos no termo grego “Uperetes”, que é o termo chave deste artigo, fizemos a apreciação da palavra grega usada por Paulo para definir o seu ministério para com o Senhor Jesus. Paulo viu ao “Justo”, isto é a Cristo, com os seus olhos físicos, o que o qualificaria para ser um de seus apóstolos. Segundo nos mostra o livro de Atos, todos os apóstolos precisavam ser testemunhas oculares de Cristo. Mas Paulo também veria a Cristo com os olhos de sua alma, com o seu entendimento, com a aceitação de sua pessoa majestosa e divina, perceberia que Jesus é divino, que é o Messias, o Senhor e o Salvador dos homens. Isso o qualificava para ser seu uperetes (homem aprisionado ao serviço de Cristo dentro de uma voluntariedade convocatória).


Paulo substitui aqui o termo grego mais comum, “diakonos” pelo vocábulo grego “uperetes”. Originalmente, essa palavra indicava aqueles que manuseavam a fileira de remos mais inferior de uma trirreme. Com a esplanação do seu próprio ministério, Paulo deixa claro que não foi chamado por Jesus para ter uma vida de Saulo, mas de servo de Cristo. Quando ele faz uso do termo uperetes ele esta dizendo que o seu livre arbítrio foi esmagado pelo chamado convocatório e soberano de Jesus, o Senhor.

 

Mediante o uso dessa palavra, o apóstolo dos gentios assume sua correta posição como servo de Jesus Cristo. Ele não exalta a si mesmo, como se exigisse ser respeitado devido aos seus próprios méritos; não obstante, não é coisa de pouca monta ser um homem, um verdadeiro ministro do grande Rei, o Senhor Jesus Cristo. Tais ministros requerem um respeito verdadeiro da parte daqueles para quem ministram. Quando Paulo apela para César, ele esta admitindo que esta desapossado do seu livre arbítrio para decidir, que é o mais humilde dos servos de Jesus, mais que é bem maior do que o rei Agripa e o governardor Festo, portanto, me levem à presença de Cesár.

 

Gostaria de encerrar minhas considerações apoiado em algumas etimologias como por exemplo servo (escravo), Senhor (dono), Uperetes (servo acorrentado ao trabalho até a morte). Um “servo” pode exercer o livre arbítrio? Uma vez adimitido Jesus como “dono” é possível exercer o livre arbítrio? Admitindo ser um “servo” acorrentado a vontade do seu “Senhor” é possível exercer o livre arbítrio? É certo que não. Um servo não tem o direito de exercer livre escolha, porque é o seu “dono” quem determina o efetuar em sua vida. Apesar do livre arbítrio ser real para o querer, não é contudo para o efetuar. 

3 comentários:

  1. Olá, gostaria de lhe dar os parabéns pelo post e ao blog em si. Tomás de Aquino na Suma Teológica expõe com transparência a questão, assim como a vejo aqui.

    abraços
    Marco

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  2. Prezado Marco,

    Sua citação de Tomás de Aquino é muito oportuna. Quando abordamos sobre a Soberania de Deus, todos mencionam Calvino, esquecendo-se porém de outros importantes pensadores.

    Grato,

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  3. Pr Val,

    Muito interessante esta colocação.
    Mas, eu tenho uma pergunta: Afinal, existe o livre arbítrio para a salvação ou se trata apenas da escolha de Deus? Calvino parece ser bem fascinante, já que é por causa "dele"(indiretamente) que estamos numa "crise". Eu sei que o assunto é extenso e polêmico e acho que sei também sua posição sobre o assunto, portanto, se quiser e tiver tempo, pode me mandar por e-mail: (fabi.mjp@uol.com.br. A pergunta básica, caso fosse discípula de Calvino, é: Pra que evangelizar se todos fomos predestinados? A resposta que eles (calvinistas) nos dão de que é para obedecermos a ordem do "ide", é meio fraca, não?
    Obrigada

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