domingo, 23 de agosto de 2009

Hermenêutica Fundamental

A hermenêutica presta-se a formular regras gerais de interpretação de textos bíblicos. Deve-se observar, entretanto, que tipos diferentes de literatura bíblica requerem metodologias específicas para cada um deles. Isto sugere que os métodos que se empregam na interpretação das parábolas serão diferentes daqueles que se empregam na interpretação da poesia hebraica ou numa parte das epístolas de Paulo.

A análise do texto de Atos é uma análise diferente dos outros livros da Bíblia. Não se trata apenas de um livro histórico, mas do relato de uma nova história. Os poucos princípios gerais que podem ser universalmente aplicados a todos os tipos de literatura bíblica tendem a ser tão básicos que ficam óbvios, por exemplo: a necessidade de prestar atenção ao contexto lingüístico, á situação histórica, ao gênero literário e ao propósito do autor. Como por exemplo, é o caso da queda.

A hermenêutica como disciplina teológica continua árdua e espinhosa. Todos os docentes e alunos que se prestam a essa íngreme e escarpa trilha precisam a todo tempo de auxílios exegéticos dos mais substânciais, e que perfilem sobre a moderna e clássica literatura auxiliar a interpretação bíblica. Na falta de saber qual é o caminho, caminhar por trilhas seguras ainda continua sendo a melhor forma de se seguir á frente.

A hermenêutica bíblica pretende libertar o homem para a verdade. Santo Agostinho chamou de confissões esta libertação para verdade. Confessar tem nas Confissões o sentido positivo do evento pascal, de proclamar a grandeza, de engrandecer a libertação dos homens pela verdade de Deus. Esta realização libertadora da verdade, Santo Agostinho chama de vida do espirito. Trata-se de uma caminhada que não acontece somente dentro do homem, mas também diante dos homens.

O papel da hermenêutica, sempre será, independente das notáveis contribuições de diversos pensadores, focar que todas as interpretações das Sagradas Escrituras devem estar firmadas em pilares críticos interpretativos confiáveis. Devem-se justificá-las através de métodos e técnicas hermenêuticas livres de quaisquer premissas dogmáticas ou pressupostos individuais. O texto pelo texto ainda continua sendo um dos melhores métodos para se interpretar as Escrituras.

O texto que envolve o apóstolo Paulo em Atos 26:16, propõe liberdade, Paulo pensava ser livre, mas Deus mostrou que Paulo não era livre. Para tal revelação Deus se apresenta de forma pessoal, embora metafísica. Neste sentido de socialidade e fraternidade, confessar aos homens a libertação do homem em si mesmo é praticar obra de caridade, pois colabora na libertação deles, e os anima a realizar sua verdade em Deus. Só alcança o fundo de si mesmo, só conhece as profundezas da existência quem deixa tudo, aquele para quem tudo desapareceu e se viu a sós com a verdade.

O contexto que envolve o referido texto, não obstante, tratará de explicar o ocorrido com o apóstolo. A lei do contexto é uma das primeiras leis que regem a interpretação. Muitas interpretações errôneas têm sua origem na desconsideração desta norma tão óbvia. Aplicados a documentos escritos, expressa a conexão de pensamento que existe entre diferentes partes para fazer dela um todo coerente. Assim, contexto é o nexo recíproco dos vários elementos duma oração, sejam próximos (contexto imediato), sejam distantes (contexto remoto).

Num texto, ou numa seqüência de textos, o contexto é constituído pela seqüência de parágrafos ou blocos que precedem e seguem imediatamente o texto, e que podem, de uma forma ou de outra, fazer pesar sobre o texto certas coerções. Desconsiderar o contexto acarreta interpretações falsas, além de se constituir numa eisegese.

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