terça-feira, 18 de agosto de 2009

O Profeta Amós e a Religiosidade

Afrontar a religiosidade dentro e fora dos templos é tarefa imperativa para hermenêutica. Recordemos um pouco o caso do profeta Amós. O profeta Amós localiza bem o período de sua mensagem, indicando o reinado de Uzias em Judá e Jeroboão II em Israel. De acordo com o relato do segundo livro dos Reis, Uzias começou a reinar no ano 27 de Jeroboão. Jeroboão reinou 41 anos. Amós viveu num período de grande riqueza e, ao mesmo tempo imoralidade. Jeroboão conseguira restaurar as fronteiras do reino do norte; havia riqueza e abundância no seu reino, resultantes dos despojos de guerra e de negócios vantajosos feitos com Damasco e com principados ao norte e ao nordeste. Contudo, juntamente com a prosperidade, da qual a classe baixa não participou em nada, havia um materialismo dominante, caracterizando-se pela exploração dos pobres e imoralidade, tentando aplacar a ira de Deus com cerimoniais vazios.

A mensagem de Deus através do profeta é destinada mais especificamente ao reino do norte, com capital em Samaria, comumente chamado de Israel. Ela foi proferida pelo menos dois anos antes da sua redenção; agora, após o terremoto predito, ele relembra o que aconteceu e mostra o que ainda está por vir. O seu Livro foi escrito por volta do ano 760-755 a.C. A sua mensagem é um lamento pela situação do povo. A métrica utilizada em seu registro, própria dos cantos fúnebres, testemunha a tristeza do poeta diante da mensagem que leva ao povo. Amós era um homem simples, do campo, cuidava de bois e colhia sicômoros. Vivia em Tecoa, que ficava a 10 km ao sul de Belém, sendo uma região de pastoreio, privilegiada por montanhas com uma altitude de 850 metros.

Deus está profundamente aborrecido com o seu povo eleito; por isso o disciplinaria. Amós descreve de forma vívida a situação de Judá e, principalmente de Israel. O ponto capital da questão estava no fato de que eles rejeitaram a lei de Deus e não guardaram os seus estatutos; portanto não agiam retamente; transformaram a mensagem de Deus em algo amargo, atirando-a ao chão: “... rejeitaram a lei do Senhor, e não guardaram os seus estatutos, antes as suas próprias mentiras os enganaram, e após elas andaram seus pais”... “Israel não sabe fazer o que é reto, diz o Senhor, e entesoura nos seus castelos a violência e a devastação” (Am. 3.10). Como resultado da desobediência à lei de Deus, todas as relações estão transtornadas, marcadas pelo domínio do pecado.

Aqui, vem o ponto capital. Não queriam ouvir a Palavra de Deus; para tanto procuravam corromper os mensageiros de Deus. A mensagem profética era entendida como conspiração. O trágico de tudo isso, é que a mensagem que eles não queriam ouvir era justamente a que poderia salvá-los, porque Deus lhes falava através do profeta; no entanto, eles não queriam que este profetizasse: “Certamente o Senhor Deus não fará cousa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Am. 3.7). “Aborreceis na porta ao que vos repreende, e abominais o que lhe fala sinceramente” (Am. 5.10).

Amós, fiel ao seu chamado, testemunha contra a tentativa do povo em silenciá-lo: “Mas o Senhor me tirou de após o gado, e me disse: Vai e profetiza ao meu povo Israel. Ora, pois, ouve a Palavra do Senhor: Tu dizes: Não profetizarás contra Israel, nem falarás contra a casa de lsaque” (Am. 7.15-16 / Am. 2.12).

Enquanto o povo não ouvia o profeta, alimentava-se de mentiras. Deus aponta para a insensibilidade espiritual do povo em se converter a ele. (Do mesmo modo Ageu 1.9-11). Deus diz que puniria o seu povo; o abandonaria. Ele não era subornável mediante cultos mecânicos que não alteravam em nada o seu comportamento; o povo apenas gostava do ritual.

O ritualismo vazio pode ser ilustrado na vida de Israel. Os povos costumam ter seus lugares sagrados, marcos de grandes acontecimentos ou da existência de grandes personagens. Para lá se dirigem objetivando prestar seu culto ou mesmo buscar inspiração. O povo de Israel também tinha esta prática; o livro de Amós nos fala de três lugares:

a) Betel: Jacó teve uma visão de Deus e conclui dizendo que Deus estava naquele lugar. Aqui, Jacó saiu com uma nova perspectiva de vida amparada na promessa de Deus. Mais tarde, Jacó foi a Betel lembrando-se de que Deus se revelara a ele anteriormente e agora, teve uma nova experiência; Deus lhe falara, mudou seu nome; ele já não mais se chamaria Jacó, mas Israel. Betel significava a presença de Deus e o seu poder renovador.

b) Gilgal: Josué erigiu um monumento com doze pedras após atravessar a pé enxuto o rio Jordão. Também ali, os homens que nasceram no deserto foram circuncidados e o povo participou da páscoa. Gilgal era o santuário que proclamava a herança e a posse da terra prometida de acordo com a vontade de Deus.

c) Berseba: Abraão fez aliança com Abimeleque e invocou o nome do Senhor. Abimeleque disse a Abraão: “Deus é contigo em tudo o que fazes” (Gn. 21.22).

Deus não deseja que o povo procure mecanicamente os lugares de culto, por eles mesmos corrompidos, mas que o busque, para que tenham vida. Buscar a Deus é o oposto a meras peregrinações a lugares sagrados, a santuários como em Betel, Gilgal ou Berseba; estes santuários juntamente com o povo estavam sob julgamento.

Por causa de seus pecados, Israel seria destruído, sendo levado cativo. Israel deve se preparar para se encontrar com o Senhor, e prestar contas a ele. No entanto, a mensagem de Deus permanecia até o último instante conclamando o povo a uma atitude de arrependimento e de busca de Deus. A única solução para Israel estava na proclamação de Amós: “Buscai ao Senhor e vivei” (Am. 5.6).

É necessário que não permitamos que uma religiosidade estereotipada caracterize a nossa vida; Deus deseja não que cumpramos simplesmente rituais; ele quer que o busquemos. Os ritos só têm valor quando realizados conforme a palavra e com sinceridade. A nossa única chance real de salvação é buscar a Deus.

10 comentários:

  1. oi adorei esta leitura...nossa como esta historia é maravilhosa me ajudou a entender melhor o livro da biblia PARABENS!!!Fique com nosso senhor abraço!

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  2. Prezado amigo,

    Muito me alegro em ter podido, de alguma forma, contribuir com o irmão no entendimento da santa palavra. Fique em paz.

    Com meu abraço,

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  3. Estamos estudando na Escola Bíblica da PIB em Montes Claros, Amós, e de fato, fica bastante claro, essa leitura.Obrigada.

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  4. Pr. Valtencir,

    Que estudo maravilhoso, tenho buscado material a respeito de Amós porque preparo um trabalho para oferecer aos irmãos de minha igreja e fiquei muito feliz por perceber e poder confirmar aqui que venho seguindo boa linha de raciocínio, foi realmente enriquecedor ter acesso ao texto.

    Que o Senhor lhe abençôe grandemente.

    Rosane de Santa Rosa

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  5. Tenho percebido que a atitude do cristão esta mudando com relação a religiosidade, a fé que o profeta Amós teve com o chamado, tem me deixado mais alegre na fé que tenho no SENHOR JESUS CRISTO, acredito piamente que só JESUS tem o poder de restaurar a sua "igreja", o homem não,se a igreja de JESUS perceber e entender que não está debaixo do julgo do homem, ai sim, seremos uma "igreja" de JESUS CRISTO .

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  6. amado que post maravilhoso agradeço a Deus pelo amado irmão poder contribuir para o aprendizado an obra de Deus,estava estudando o livro do profeta Amós para trazer uma mensagem da parte de Deus agora ficou muito melhor ainda existe profeta na trra glórias á Deus!!!

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  7. Maravilhoso estudo
    Deus lhe abençoe nóbre amigo

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  8. Deus não quer adoração sistemática, ele quer um povo que o adore em espírito e em verdade.

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