domingo, 28 de março de 2010

Livros Apócrifos do Novo Testamento

Sob este nome são algumas vezes reunidos vários escritos cristãos de primitiva data, que pretenderiam dar novas informações acerca de Jesus Cristo e seus apóstolos, ou novas instruções sobre a natureza do cristianismo em nome dos primeiros cristãos. Ainda que casualmente algum livro não canônico se ache apenso a manuscritos do NT, isto é contudo tão raro que podemos dizer que, na realidade, nunca se tratou seriamente de incluir qualquer deles no cânon.

As obras apócrifas do NT têm formas paralelas aos livros do NT. Já se sabe alguma coisa a respeito de mais de cinqüenta evangelhos apócrifos. Alguns deles foram conservados na sua totalidade, outros, em fragmentos, e ainda outros são conhecidos apenas pelo nome. Nestes, geralmente, o autor ocultou seu próprio nome e atribuiu sua obra a um apóstolo ou discípulo. Aqueles que estão disponíveis na sua totalidade são: Evangelho segundo os Hebreus (há fragmentos do segundo século); o proto-evangelho de Tiago (irmão do Senhor); o Evangelho de pseudo-Mateus; o Evangelho da natividade de Maria; a história de José, o carpinteiro; o Evangelho segundo Tomé; o Evangelho da Infância; o Evangelho segundo Nicodemos; o Evangelho segundo Filipe; o Evangelho dos Egípcios.

Numerosos Atos dos Apóstolos também foram compostos. Entre os mais conhecidos está a coletânea chamada Atos Leucianos, porque foram colecionados por Léucio. Estas obras fragmentárias, em número de cinco, incluem Atos, os de Paulo e Tecla (segundo século), e os de Pedro (terceiro século). Epístolas, a de Barnabé (fim do primeiro século). Apocalipses, o de Pedro (segundo século), os Atos de Pilatos.

Epístolas apócrifas não são tão numerosas, porque era mais difícil falsificá-las ao ponto de apresentarem alguma aparência de autenticidade. Entre as mais conhecidas está a epístola dos apóstolos, que tratava de tendências heréticas; a epístola aos Laodicenses (Cl 4.16), seleções das cartas de Paulo (especialmente Filipenses); 3ª Corintios e a correspondência entre Paulo e Sêneca.

Os apocalipses eram modelados de modo semelhante ao Livro do Apocalipse no NT. Os mais famosos entre eles são: o Apocalipse de Pedro (século II) e o Apocalipse de Paulo (século IV). Entre outras coisas, os dois têm visões do céu e do inferno, com cenas de bem-aventurança e descrições lúgubres do castigo.

Uma das mais relevantes descobertas de obras apócrifas do NT foi feita em 1946, em Nag Hammadi, cerca de 50 km ao norte de Luxor, no Egito. Eram trinta e sete obras completas, e cinco obras fragmentárias, geralmente com uma tendência gnóstica, todas escritas em cóptico, traduzidas de originais gregos.

domingo, 14 de março de 2010

Evangelhos Sinóptos

Para uma extração hermenêutica correta dos Evangelhos, é mister cmpreendê-los de forma distinta. Os exegetas chamam evangelhos sinópticos os de Mateus, Marcos e Lucas; desde que a exegese começou a ser aplicada à Bíblia ainda no século XVIII, que os especialistas se aperceberam que dos quatro evangelhos, os três primeiros apresentavam grandes semelhanças entre si, de tal forma que se colocados em três grelhas paralelas, donde vem o nome sinóptico, do grego συν, "syn" («junto») e οψις, "opsis" («ver»), os assuntos neles abordados correspondiam quase inteiramente. Por parecer que quase teriam ido beber as suas informações a uma mesma fonte, como os primeiros grandes exegetas eram alemães, designaram essa fonte por Q, abreviatura de Quelle, que significa precisamente «fonte» em alemão.

Os evangelhos sinópticos estão relacionados um com o outro segundo o seguinte esquema: se o conteúdo de cada evangelho é indexado em 100, então quando se compara esse resultado se obtém: Marcos tem 7 peculiaridades e 93 coincidências. Mateus tem 42 peculiaridades e 58 coincidências. Lucas tem 59 peculiaridades e 41 coincidências. Isso é, 13/14 (treze quatorze avos) de Marcos, 4/7 de Mateus e 2/5 de Lucas descrevem os mesmos eventos em linguagem similar.

O estilo de Lucas é mais polido em relação a Mateus e Marcos, com menos hebraísmos. Lucas utiliza algumas palavras latinas (Lucas 7,41; 8,30; 11,33; 12,6 e 19,20), mas nada de termos em aramaico ou hebraico, exceto sikera, uma bebida estimulante da natureza do vinho, mas não processada de uvas (do hebraico shakar, "ele está intoxicado", Levítico 10,9), provavelmente vinho de palmeira. Esse evangelho contém 28 referências distintas ao Antigo Testamento. Quanto ao quarto evangelho, o de João, relata a história de Jesus de um modo substancialmente diferente, pelo que não se enquadra nos sinópticos.

Enquanto os evangelhos sinópticos apresentam Jesus como um personagem humano, demarcando-se dos comuns pelas suas ações milagrosas, já o evangelho de João descreve um Jesus como um Messias com caráter divino, que traz a redenção e absolução ao mundo. Resultante do esclarecimeto literário, observaremos que a hermenêutica do Evangelho de João, não será a mesma do sinópticos.

sábado, 6 de março de 2010

Divisões da Teologia

A teologia pode ser dividida em quatro partes:

1- Teologia Sistemática: usa materiais que encontramos na escritura sagrada, nas ciências psicológicas e na história com o fim de encontrar um organismo completo no qual todas as partes estejam sistematicamente relacionadas com o que conhecemos de Deus, e com as relações entre Deus e o universo. A fonte principal da teologia sistemática é a Biblia, ponto de partida para conhecermos o que ela ensina de Deus e suas relações com a criação. O uso das verdades da ciência e da filosofia torna-se possível quando estes estão em harmonia com as verdades das escrituras. A história, principalmente, a história das doutrinas, é consultada, pois em muitos aspectos ajudam na compreensão dos efeitos das escrituras na experiência humana.

2- Teologia Bíblica: usa somente materiais encontrados nas escrituras, procuram organizar e classificar esses materiais de uma forma científica nas discussões das várias doutrinas. Neste contexto teológico, as teorias humanas não são reputadas como que de valor, elas são abandonadas. A única fonte é a Biblia.

3- Teologia Histórica: segue o desenvolvimento das diferentes doutrinas do cristianismo desde o tempo dos apóstolos até os nossos dias, registrando os efeitos e resultados destas doutrinas na vida cristã e nas organizações do Reino de Deus no mundo. As fontes da teologia histórica são as diferenças encontradas entre os escritos teológicos através dos tempos e os simbolos das diferentes denominações.

4- Teologia Prática: é o uso prático da própria teologia como resultado da influência na vida do homem, ajudando-o a levar adiante o Reino de Deus no mundo. Ela se expressa pela homilética, pela prática eclesiástica e fundamentalmente pela hermenêutica.