segunda-feira, 19 de julho de 2010

A Influência Socrática na Hermenêutica

Atualmente estou relendo Sócrates e admito, é fascinante. Em minha perspectiva depois de Cristo, não tenho dúvidas, Sócrates foi o maior divisor de águas de todos os tempos. No cristianismo temos o "antes de Cristo" e o "depois de Cristo". Na filosofia temos o "antes de Sócrates" e o "depois de Sócrates. Totalmente embargado pela ironia e maiêutica socrática, convido-lhes a reflexão abaixo:
O cristianismo está na condição do homem após aceitar Jesus como seu Senhor, reconhecê-lo como único Salvador. O cristão, usando o seu livre-arbítrio, pode voltar-se para o pecado, perder a fé, perder a graça de Deus e, assim, perder a salvação? Afinal, o cristão possui livre-arbítrio? Se a resposta for afirmativa, é evidente que ele poderá usá-lo, e usá-lo para abandonar a sua fé original e fazer morrer a chama do primeiro amor; se negativa, a condição de servo não seria apenas poética, mas enfática e convocatória.
A partir da decisão do primeiro casal no Éden, alguns afirmarão que as evidências escriturísticas provam que em nenhuma circunstância o ser humano perde o direito à liberdade de escolha dada por Deus. O argumento de que temos o Consolador que nos convence do pecado, e portanto não podemos cair, não parece suficiente.
O que dizer de uma pessoa que se entregou a Cristo e aceitou-o como seu Senhor e Salvador? Poderia ela, que agora é escrava de Cristo, optar em realizar ou não o chamado convocatório de Cristo para o ministério? Considerando que esta pessoa possa escolher, não estaria ela frustrando os planos de Deus? Temos realmente o direito de escolher o ministério que desejamos realizar, ou, temos o direito de rejeitá-lo? A Soberania de Deus se estabelece diante do Seu desejo perfeito para o ser criado, ou o desejo do homem prevalecerá diante do propósito do Criador? O homem é servo ou senhor? A sua vida restaurada em Cristo pertence a ele, ou Aquele que o restaurou?
A hermenêutica bíblica do texto de Atos 26:16, nos revela o termo grego “uperetes” (ministro). Enraizados dentro de uma perspectiva hermenêutica e tendo como ancora deste tema o texto citado acima, é mister buscar respostas para as referidas perguntas. Parafraseando Peter Kreeft, o debate de Cristo com Sócrates seria chocante. Soli Deo Gloria!

3 comentários:

  1. E a hermenêutica socrática o que é?

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  2. Olá, em Sócrates não encontraremos a hermenêutica, mas, a maiêutica (método socrático que consiste na multiplicação de perguntas, induzindo o interlocutor na descoberta de suas próprias verdades e na conceituação geral de um objeto).

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