sábado, 23 de outubro de 2010

Frederico

“Deus está morto” é talvez uma das frases mais mal interpretadas de toda a filosofia e teologia. Quando ainda catecúmeno, em uma da aulas de filosofia presenciei Friedrich Nietzsche ser massacrado como um ateu odioso. A hermenêutica bíblica também é a hermenêutica dos fatos, também é filosofica.

Na íntegra Nietzche desabafou “Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós”. Seu desabafo ocorreu na voz de Zaratustra, e independe do âmago da alma de Nietzsche, pois exprime uma reflexão intelectual sobre o motivo da morte.

O mitte do raciocinio do pensador concentra-se no fato da decadência da metafísica no pensamento ocidental. A "morte de Deus" não deve ser entendida como uma blasfêmia ou uma afronta gratuita proferida por Nietzsche, como pensam muitos religiosos. Ela é uma constatação de uma situação histórica do pensamento ocidental, uma derrocada dos princípios, principalmente cristãos, que notoriamente estavam desaparecendo. "A morte de Deus, portanto, significa o desaparecimento da dimensão da transcendência, a anulação total dos valores ligados a ela, a perda de todos os ideais (Reale)."

Reflitamos apenas num aspecto do pensamento de Nietzsche sobre a morte de Deus. Deus é moral, portanto a moral é ingrediente construcional no homem, parafraseando Descartes: “A moral é a impressão digital de Deus nos homens”. Se de fato, o homem tem sido imoral ou amoral, logo Deus esta morto (permita-me não focar os cristãos dentro deste pensamento – seria cruel), não se trata da morte de Deus como “Ser”, mas como “Estar”, não porque haja ausência da supremacia na Soberania, mas, pela reinvidicação do estar como livre, de fato, para a libertinagem e não para liberdade.

Os valores que a sociedade considera como corretos desaparecem a cada minuto, eles não tem mais garantia da impressão como fato e direito, se enquadram no mundo das idéias, Platão tinha razão, no seu “mito da caverna”, todo pensador será sempre massacrado e morto pela sua claritude do real. O nome de Deus tem sido clamado por zumbis, pois neles, Deus esta morto”.

Como se fosse possível, penso em Nieztsche hermenêuticando sobre a graça de Deus diante de um cristianismo arbitrário, hipócrita e farisaico, melhor deixar esta matéria para outro Frederico. Que Deus viva!

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