terça-feira, 30 de novembro de 2010

Ironia

Ironia e maiêutica foram os principais métodos didáticos aplicados por Sócrates. Do ponto de vista hermenêutico, Sócrates foi simplesmente brilhante. Se você almeja se tornar um hermeneuta correto, uma pessoa descente e honesta, então, você precisa ler um pouco mais sobre este homem. Conhecer a vida de Sócrates é recuperar a grandeza da condição humana, uma grandeza que veio se perdendo ao longo dos séculos, na busca pelo “ter” e não pelo “ser”.

Sócrates recusou-se a escrever sobre si mesmo, entendia que nada era dele, e nem nele mesmo brotara, portanto não tinha nada a dizer. Ficou a cargo dos discípulos, entre o mais ilustre Platão, documentar os feitos do mestre. Sócrates era a antítese do homem de sua época, sua morte pela cicuta em 399 a.C., longe de tê-lo jogado no esquecimento, transformou-o numa espécie de mito.

Incentivado pelos discípulos a fugir, Sócrates entendeu que era o mesmo que admitir a culpa e negou-se. Indagado exclamativamente pela esposa, que morreria injustamente, respondeu: “Preferias que fosse justamente? Momentos antes de entregar-se a cicuta, lembou-se de uma dívida e pediu que fosse paga... um galo. Sócrates resgata em nós, aquilo que temos de mais humano, e que se encontra perdido em meio a muitos papéis que precisamos representar para sobreviver. Se deseja ser um hermeneuta, leia, reflita e respire um pouco mais de Sócrates.

Sem dúvida, Sócrates foi o maior cristão antes de Cristo, denotado como um divisor de águas, foi um homem ao qual o mundo não era digno. Peter Kreeft foi extremamente feliz quando escreveu o livro “Sócrates e Jesus o Debate”. A história de Sócrates exerce o dom de nos mostrar que podemos ser melhores.

A maior ironia esta no paradoxo contextualizado do pensador, reconhecido como o mais sábio de sua época, afirmou a frase que se tornaria imortal: “só sei que nada sei”. Confesso que quando reflito sobre Sócrates, me emociono a ponto de envergonhar-me de todos os meus títulos. Se eu pudesse dar um conselho, diria para os catecúmenos e anciãos se debruçarem sobre Sócrates, certamente seriam hermeneutas melhores e cristãos mais etimológicos.

domingo, 28 de novembro de 2010

Coração

Todo texto deve reverência a hermenêutica, não obstante, alguns textos são como que gerais, se enquadram nas mais adversas situações, e não se transformam em eisegese por esta utilidade, na verdade, os considero universais. Nem todo texto é empírico, penso que muitos não o são, neste caso o encaixe fica na história de vida de cada homem, refiro-me aqui ao gênero humano.

O profeta Jeremias fez no seu livro, uma das menções mais significativas sobre o coração de toda a Bíblia: “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas”. De fato, desde Adão notamos como o coração do homem se engana, e como conseqüência tem ocasionado o sofrimento.

Seguir o coração significa se entregar àquilo que se acredita no momento, independentemente de ser possível, real ou normal, enfim, como diria o poeta: “o coração te da asas”. Infelizmente o maravilhoso sentimento proporcionado pelo coração não é profícuo, não garante segurança, e por muitas e variadas situações, não é correspondido.

Permita-me compartilhar o meu pensamento: “prefiro a razão”. Puxa! Essa sim liga os pontos onde devem ser conectados, analisa todos os fatos, e diante duma realidade empírica autoriza ou recusa o desejo ou intenção. O sofrimento praticamente não existe, é lógica pura, e na matemática tudo se encaixa, já no coração é outra coisa, é coisa poética.

Veja, o desejo do coração é tão corrupto em relação à razão, que ele mente descaradamente. Ele, o coração, tenta fazer o homem acreditar nos maiores absurdos, e sorrateiramente insiste e convence a acreditar, ocasiona uma falsa felicidade, vive preparando engodos, melhor seria ignorá-lo, mas isso é outra coisa.

O profeta ressalva: “quem o conhecerá?” Embora a pergunta seja retórica, ele responde que o Senhor esquadrinha os corações... Amém! Quanto a mim, se pudesse, preferiria somente a razão, creio que sejam antagônicos, porque o coração fica a enganar o homem constantemente. Por que sentimentos puros e verdadeiros que brotam de situações tão sinceras são tão facilmente derrotados pela razão? Porque o coração é mau.

Explicações filosóficas e poéticas a parte, jamais entenderei o plano de Deus para esta combinação. Por que o Eterno confeccionou dois inimigos tão poderosos dentro do mesmo templo? Diante deste axioma, a idade perde a relevância, com vinte ou quarenta, a situação é a mesma. O coração nunca amadurece, e a razão por mais fortalecida que esteja, inclina-se sempre aos imaturos desejos do centro da vontade do homem.

O coração proporciona sentimentos indescritíveis, acompanhado de sofrimentos horríveis. A razão impede que o sofrimento chegue, porque já alerta os dissabores, mas, infelizmente para o homem, os desejos do coração antecedem a razão. Preferia-me, ficar somente com a razão, mas, quis Deus diferente. Perco-me nesta hermenêutica, creio que não seja possível realizá-la... Que Deus nos ajude!

sábado, 20 de novembro de 2010

Admoestação Hermenêutica

É preciso entender que a hermenêutica, não é amiga dos teólogos ou religiosos, não esta interessada em trazer paz. A hermenêutica tem se apresentado como insuportável, ela não reconsidera a opinião, e não cria adaptações aos fatos. A hermenêutica encontra plenitude em si mesma, e não depende dos intelectuais para nada, inverso disso, os pensadores que pensam pensar, se enclausuram em pensamentos imersos por livros de outros pensamentos, e não compreendem a necessidade de ouvir e aprender hermenêutica.

Entenda, a hermenêutica não esta procurando amizades, ela não deseja fazer parte do clube dos hipócritas e demagogos, não almeja se misturar com os do “meio”, tão pouco procura apoio para os seus propósitos. A hermenêutica simboliza a pureza da alma não contaminada, e o contraste de um pensamento reto, dentro de uma contemporaneidade corrompida pelo pseudo sucesso, e pela injúria religiosa, teológica e filosófica.

Praticar a hermenêutica significa aprender o tudo que já é por si mesmo, não há o que interpretar, a busca não é por algo novo, parece que poucos entendem. O exercício da hermenêutica, consiste em observar e aceitar a revelação que desde o primórdio da fundação do mundo, já esta estabelecida e impactada. Não há o que mudar, adaptar, ou revelar outra vez. Perceba, já esta tudo ali, a observação e a busca da compreensão requerem humildade de conhecimento. Estas coisas somente compreensíveis àqueles que estudaram de verdade, não por motivos de papel ou de letra, mas, de aprendizado e preenchimento.

A hermenêutica é uma escola admoestadora, em busca de alunos mansos de coração, e com palavras bem temperadas. O espírito que deseja ensinar, jamais será um hermeneuta, não importa sua coleção de papeis, somente quem tem sede do saber e reconhece sua ignorância, terá uma remota oportunidade de se tornar amigo da hermenêutica. A hermenêutica convida o aspirante a sonhar seus próprios sonhos. Viver os sonhos de outros pode causar insônia, ou até mesmo pesadelos.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Icabode

No clamor de uma mulher recém enviuvada, dando a luz a um filho sem pai e sem avô, e diante de uma perspectiva derrotista e consumada do seu povo, e como que sem alternativa, entregou-se a amargura mais profunda que um verdadeiro israelita poderia sentir, a perda da glória de Deus.

Eli foi um sacerdote de Deus, e como tal tinha responsabilidades para com Deus e para com o povo. Uma palavra do sacerdote poderia ser extremamente impactante para qualquer homem ou mulher israelita, não obstante, grande era o peso do chamado convocatório de Deus.

Como a vida não é resultado de estórias, ou de contos de velhas caducas, entre latoeiros e Dimas, fatos e acontecimentos no decorrer de um período, transformam-se em histórias de vida, e Eli foi cultivando, embora sacerdote, histórias contraditórias ao sacerdócio o que findaria em Icabode.

Não discerniu o momento espiritual de Ana, confundindo-a como ébria. Seus filhos Hofni e Finéias cometiam crimes contra o Senhor, a ponto do texto bíblico chamá-los de “filhos de belial”, e o pecado era mui grande, diz as Escrituras. Na aliança estabelecida por Deus, toda a descendência de Eli assumiria o sacerdócio, porém, diante da pouca força de Eli diante da prole, o pacto foi quebrado... Na verdade, o amor de Eli estava mais nos filhos do que no Senhor. Por efeito toda casa de Eli é sentenciada por esta transgressão. O sacerdote de Deus falhou, e com esta falha todo o povo padeceu.

Para todos aqueles, que dentro do coração guardam o chamado convocatório de Deus para a prática da hermenêutica, atentem para histórias como essa, pois nenhum sacerdote religioso poderá ocupar lugar em seu coração a ponto de influenciar suas atitudes interpretativas do santo texto bíblico. Se, de fato, existe o chamado convocatório de Deus para o exercício da hermenêutica, é mister assumir exclusivamente a teocracia.

Icabode, tem se repetido continuamente na vida de pessoas que tem entregado suas vidas nas mãos dos sacerdotes. Entenda, este tempo acabou, eles não são mais necessários, pois através da nova aliança, nosso acesso ao Pai é direto. Não comprometa a boa hermenêutica, inclinando-se a discursos dominadores de sacerdotes como Eli, que tem posição social, mas a vida com Deus esta intrinsicada num Icabode. O hermeneuta precisa estar livre, para viver a teocracia exigida e anunciada pelo Rei. Soli Deo Gloria!

A Armadura de Saul

Entre tantos personagens entusiastas da Bíblia, sem dúvida Davi é uma referência hermenêutica tremenda. É verdade que ele cometeu alguns erros, e para o bem da hermenêutica dou graças a Deus. Os erros de Davi aliviam nossa condição pecaminosa, pois nos nivela como seres criados para acertar, mas que na derrocada do desejo humano falha, e, portanto, proibidos estamos de julgar, não obstante, maior peso carregará o rebelde.

Davi teve a impetuosidade de dizer não, num momento onde sua atitude, aparentemente insana o deixava ainda em maior desvantagem. Veja, ele iria desafiar o grande gigante Golias, o maior guerreiro dos filisteus, povo sanguinário e cruel. Para aliviar o seu destino, a morte, digo na perspectiva israelita, Saul ofereceu a sua própria armadura ao jovem e insano pastorzinho de ovelhas, refiro-me a animais.

Inescrupulosamente, exercendo de uma antiética tremenda, desobedecendo a ordem do rei, que absurdo, afrontando os bons costumes, e contrariando todas as tradições do momento, Davi recusa a armadura do rei, e pior, veja que menino mal educado e rebelde, disse que não estava acostumado àquilo. Como alguém que é recém chegado a um lugar, sem a experiência dos antigos e sábios, que por gerações praticam com zelo as mais perfeitas tradições, que estão habituados a reunir o conselho e reger as assembléias deliberativas, pode contrariar anos de experiência? (... pausa...).

Permita-me sorrir enquanto escrevo esta resposta: O compromisso de Davi estava na sua fidelidade e confiança em Deus. Davi tinha em seu coração a certeza de que Deus era com ele e pronto. Tradições e estratégias não faziam parte dos planos, porque não havia planos, Davi queria apenas agradar a Deus e inclinar o seu coração diante da Sua Soberana vontade.

Se você deseja ser um hermeneuta com o coração inclinado à Deus, aprenda com Davi, e lance fora esta armadura que estão colocando sobre você. Note bem, você já não possui a leveza de antes, o peso da armadura é terrível, e não pertence a Deus. Liberte-se, de um grito de independência, se olhe no espelho, enxergue Deus através da luz dos seus olhos, pois ele habita em você, e jogue fora esta armadura humana e pecaminosa. Apresente-se diante de Deus como ele te chamou, talvez, apenas com uma funda, um cajado, quem sabe é você.

Pense comigo, se a armadura de Saul era tão boa, porque ele mesmo não lutou contra Golias? Sim, é uma pergunta retórica, deixo um trecho para sua reflexão: ... “E Davi tirou aquilo de sobre si”...

Se existe uma armadura para uso, a carta aos efésios a revela. Prefiro, no entanto, sugerir “um coração quebrantado e um espírito reto”.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Como Se Faz Hermenêutica

Se você deseja ser um hermenêuta genuíno, permita-me indicar alguns caminhos. Não posso garantir com isso que terá prestígio, nem mesmo que será amado. Entenda, Platão tinha razão quando citou o célebre mito conhecido como "A caverna de Platão", ao anunciar a verdade os homens desejaram matar o benfeitor, talvez não com morte morrida, mas com morte social, psicológica, ou, enfim...morte.
Caso queira prosseguir na loucura deste pensamento, apresento o primeiro pressuposto: Leia a bendita e santa palavra de Deus, deleite-se sobre ela, faça isso porém, com uma Bíblia texto, preferencialmente com tradução mais antiga, as versões modernas contaminadas estão pelo desejo do comércio. Lembre-se de uma das 95 teses de Lutero "Sola Scriptura".
O segundo pressuposto: Neutralize os dogmas da denominação em que esta inserido, entenda que embora proclamem a palavra de Deus, estão aprisionados nestas doutrinas, que longe estão de ser as "sãs doutrinas", sugiro lembrar de Davi, quando ainda tinha um coração como o coração de Deus, e declarou a Saul: "Não posso andar com esta armadura, pois não estou acostumado".
Como terceiro: Se afaste dos intelectuais da Bíblia, eles estão contaminados pela soberba, pela altivez, pela ostentação e pela malícia, donos de sí, entendem que não há mais o que aprender, e enclausurados num egocêntrismo caiádo, desviam-se da verdade usando se possível a própria verdade.
Pressuposto número quatro: Encontre dois ou três amigos para compartilhar a verdade bíblica genuína, e não seja tolo, você não terá mais que três, e esteja feliz se alcançar um. Lembre-se, verdadeiros profetas, normalmente caminham só, quando não, algum Geasi se encosta nele, melhor será esperar em Deus a mula de Balaão.
Quinto pressuposto: Ore menos e acrescente sinceridade, leia menos e reflita com a alma, entenda que não será com o muito falar, e que a letra, sim, ela mata. Chore o máximo possível, e conte tudo à Deus, não compartilhe com homens tolos, coisas que devem ser ditas ao altíssimo.
O mais importante: Confie somente no Eterno, no Soberano e Bendito Rei dos Reis. Lembre-se do conselho de Jeremias, e confie somente em Deus.