domingo, 19 de dezembro de 2010

Visitas Ilustres

Surpreendentemente debruçado envolto as letras, decidido a compartilhar mais um artigo, fruto dos estudos da hermenêutica, encontrei-me num breve e tranqüilo cochilo. Supostamente ao acordar, fui maravilhado, quando olhando ao redor, espantei-me por completo, pois ali estavam atônitos e perturbados alguns pensadores da história, que me dissecavam com os olhos como que aguardando uma explicação, tentei reconhecê-los pelo semblante, mas foi no diálogo e na firmeza das idéias que aos poucos identifiquei Diderot, Marx, Nietzsche, Freud e Sartre, que em pé do meu lado esquerdo, requeriam explicações sobre o motivo das acusações de ateísmo, que o mundo contemporâneo os incriminava.

Ainda surpreso e estupefato pelo acontecimento, fiquei sem palavras, e completamente travado diante de pensadores tão ilustres, que deixaram sua contribuição na história, aos quais eu mesmo, por inúmeras vezes já havia usufruído. Meu maior questionamento era por que perguntavam a mim, notoriamente intelectuais gabaritados, até mesmo no Brasil estariam mais aptos a responder esta difícil pergunta. Aguardavam um parecer meu, e com olhares penetrantes me intimidavam. Foi quando Nietzsche declarou que assumidamente eram todos anti-religiosos, o que todos sinalizando com a cabeça concordaram. Mas ateísmo era outra coisa, e entre outros argumentos bombásticos fiquei estarrecido.

Inclinando a cabeça para o lado direito buscando refúgio, fui deslumbrado ao perceber a presença de Agostinho, Tomás de Aquino, Spinoza e Descartes, que para minha surpresa cumprimentaram e sorriram para o outro grupo, em sinal de amizade e admiração, e voltados para mim, aguardavam o desfecho das indagações. Perplexo, tentei forçar meu racionalismo, considerando ser meu ponto forte, e fui repreendido por Descartes, que exclamando em tom suave afirmou: “quem esta apto para lidar com números, antagônico esta do relacionamento humano”.

Diante deste pressuposto, mudei minha postura para tentar analisar com misericórdia, e busquei no meu íntimo visualizar o que Jesus faria na minha posição. Neste ínterim, começaram a dialogar entre si, e lembro-me de Freud discursando sobre a fragilidade humana, e como a consciência da diferença sexual interferia nos relacionamentos, e todos comentavam o assunto já como se eu não mais ali estivesse. Lembro-me também, das referências de Sartre ao lembrar sobre o julgamento sobre coisas que não se conhecem ou entendem, e Aquino lembrava as palavras de Jesus sobre o julgamento.

Então, como que num último suspiro, tentei abrir a boca para participar com o que acreditava ser uma contribuição, percebendo meu gesto, educadamente e com suavidade Diderot pediu silêncio, e me pareceu que Spinoza era o mais interessado. Não estava acostumado a ter uma atenção tão interessada e me deu um nó na garganta, tentei fitá-los diretamente nos olhos, tarefa difícil para um catecúmeno como eu, pois era assim que me sentia naquele momento eternizador. Subitamente, comecei a ouvir outro tipo de som, e aquela cena foi então sumindo. Quando dei por mim, estava com o rosto no teclado,  completamente amassado, e percebi que tudo não passara de um sonho. Aliviado, escolhi uma Bíblia na estante ao lado, e hermeneuticamente refleti sobre o evangelho de Mateus capítulo sete, com atenção especial aos versos um e dois. Como de costume tomei um capuccino, entregando assim a noite por encerrada.

2 comentários:

  1. UH! UH! VIAJEI LEGAL!!!
    AMO ISSO DEMAIS!
    JESUS É MUITO MAIS QUE DEZ E É PARA TODOOOOOS!

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  2. http://dcosmo.blogspot.com/ - "Cosmo a Pé"

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