quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

21 de Dezembro

Desde a década de 1970, publicações esotéricas começaram a apontar para o fim da civilização humana em 2012, mais especificamente no fim do décimo terceiro ciclo no calendário maia, em dia 21 de dezembro.

Mas o diretor do Acervo Hieróglifo e Iconográfico Maya (Ajimaya) do Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH), Carlos Pallán, afirma que o assunto tem sido distorcido. Existem apenas “duas inscrições” que falam sobre 2012, mas “como o final do período”. Não há, em nenhum dos 15 mil textos existentes dos antigos maias, a previsão de que veremos grandes cataclismos no final deste ano.
O cientista explicou que estas versões apocalípticas foram geradas por interpretações erradas de leigos, pois “para os antigos maias, o tempo não era algo abstrato, era formado por ciclos e estes às vezes eram tão concretos que tinham nome e podiam ser personificados mediante retratos de seres corajosos. Por exemplo, o ciclo de 400 anos estava representado como uma ave mitológica”.
Portanto, ele esclarece que os maias “jamais mencionam que o mundo vai acabar, jamais pensaram que o tempo terminaria em nossa época, o que nos reflete à consciência que alcançaram sobre o tempo, a partir do desenvolvimento matemático e da escritura”.
Pallán acrescenta que os maias se preocupavam em efetuar rituais que, de algum modo, garantissem que o ciclo ainda por vir seria propício. A civilização maia legitimava seu poder com seus antigos calendários e associavam os governantes a esses ciclos com deuses ou outros mitos.
O arqueólogo enfatizou que, segundo os cálculos científicos atuais, a data astronômica precisa do fim de seu ciclo seria 23, e não 21 de dezembro.
Fonte:http://jornalathos.com.br

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Mito da Caverna


Junto com Platão vamos imaginar um muro bem alto separando o mundo externo e uma caverna. Na caverna existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior. No interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali.
Ficam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder mover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira. Pelas paredes da caverna também ecoam os sons que vêm de fora, de modo que os prisioneiros, associando-os, com certa razão, às sombras, pensam ser eles as falas das mesmas. Desse modo, os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade.
Imagine que um dos prisioneiros consiga se libertar e, aos poucos, vá se movendo e avance na direção do muro e o escale, enfrentando com dificuldade os obstáculos que encontre e saia da caverna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles, e mais além todo o mundo e a natureza.
Caso ele decida voltar à caverna para revelar aos seus antigos companheiros a situação extremamente enganosa em que se encontram, correrá, segundo Platão, sérios riscos - desde o simples ser ignorado até, caso consigam, ser agarrado e morto por eles, que o tomaram por louco e inventor de mentiras.
Platão não buscava as verdadeiras essências na simplesmente Phýsis, como buscavam Demócrito e seus seguidores. Sob a influência de Sócrates, ele buscava a essência das coisas para além do mundo sensível. E o personagem da caverna, que acaso se liberte, como Sócrates correria o risco de ser morto por expressar seu pensamento e querer mostrar um mundo totalmente diferente. Transpondo para a nossa realidade, é como se você acreditasse, desde que nasceu, que o mundo é de determinado modo, e então vem alguém e diz que quase tudo aquilo é falso, é parcial, e tenta te mostrar novos conceitos, totalmente diferentes. Foi justamente por razões como essa que Sócrates foi morto pelos cidadãos de Atenas, inspirando Platão à escrita da Alegoria da Caverna pela qual Platão nos convida a imaginar que as coisas se passassem, na existência humana, comparavelmente à situação da caverna: ilusoriamente, com os homens acorrentados a falsas crenças, preconceitos, ideias enganosas e, por isso tudo, inertes em suas poucas possibilidades.
Para quem entendeu a hermenêutica exclusivamente bíblica, e principalmente absorveu a verdade declarada da Santa Palavra: Se Cristo vos libertar, verdadeiramente sereis livres, é passivo de compreensão sobre o sofrimento do hermeneuta.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A Santidade

Porque esta é a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação – I Ts. 4:3a

O texto acima nos revela a vontade de Deus para todos aqueles que o escolheram através de Jesus Cristo... “Santificação”. A santidade de Deus é o modelo que temos para a nossa vida. Santidade quer dizer separar-se das práticas mundanas voltando-se para Deus. É a busca de uma vida moralmente e espiritualmente correta diante de Deus e dos homens.

Santificação é uma obra progressiva que nos torna cada vez mais livres do pecado e semelhantes a Cristo em nossa vida presente. A santidade de Deus não tolera o pecado. A Bíblia diz em Isaías 59:2 “Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça.”

Santidade é um dom da graça de Deus. O Espírito Santo nos adverte em Hb. 12:14 "Sem santidade ninguém verá o Senhor". A santificação deve ser o alvo de todo cristão, iniciando no momento que a pessoa aceita a Cristo, o seu desejo deverá ser como seu mestre; Cristo é nosso referencial de vida. 

Santidade é o abandonar das práticas ilícitas e voltar-se cada dia mais para os ensinamentos de Cristo. Santidade não é deixar de fazer, mas fazer conforme a palavra de Deus.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

E Nós?


Trouxeram-lhe então um endemoninhado cego e mudo; e ele o curou, de modo que o mudo falava e via. E toda a multidão, maravilhada, dizia: É este, porventura, o Filho de Davi? Mas os fariseus, ouvindo isto, disseram: Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios. (Mt. 12:22-24)

Limitados pelo legalismo religioso, pela inveja e ciúmes que de modo imperativo se enraizava em seus corações, e pela intolerância pragmática oculta, os fariseus julgaram, condenaram e crucificaram Jesus.

O pressuposto farisaico não se alicerçava na bondade da obra praticada, tão pouco nos benefícios que ela trouxe as pessoas que verdadeiramente buscaram a Cristo, antes, tudo se concentrava na intenção maligna de praticar o mau.

A santa e bendita palavra esclarece que se os olhos são maus, então todo o corpo se torna mau, não obstante, a prática do bem, especificamente com a língua, não se estabelece diante de conceitos pragmáticos, doutrinários, religiosos ou denominacionais. Anverso a isso, somente um coração quebrantado pode apoderar-se do genuíno conhecimento da mensagem da palavra, aquela da cruz, referindo-se ao ensinamento ao qual rege que o amor autêntico, no cumprimento do texto de coríntios treze, onde parafraseando o santo autor, o amor entende, e, por entender opta em não julgar.

Se a obra de Cristo fez com que ele fosse julgado pelos religiosos, e nós? Sim, se o próprio mestre foi julgado de estar possuído por demônios, e nós? O espanto não reflete ênfase na perspectiva leiga da fé, não foram os idólatras ou ainda os ateus convictos ou os neófitos que proferiram a condenação de Jesus, antes aqueles que professavam uma fé falaciosa no Deus vivo, julgaram aquele que praticava uma obra santa e justa.

Imergido na compaixão do sentimentalismo humano, o Deus encarnado se antecipou em afirmar que se perseguiram a Ele, quanto mais a nós. Não é o julgamento fora do cristianismo que decepciona, este uma vez aplicado nos chateia e entristece, mais o julgamento dos religiosos, este nos decepciona, não porque esperamos salvação para a raça, pois esta já foi sentenciada, e, pelos seus próprios atos será quase que toda extinta, mais pelo dissabor da confirmação que sua frequência religiosa é vã, vazia e destemperada. Buscam destruir as boas obras daqueles que com entendimento verdadeiro em Cristo, desejam o bem e são suportados pela fé. Não haverá permissividade para os levianos na fé, estes terão aquilo que já lhes foi proposto em apocalipse.

Se perseguiram Jesus, e nós? Se maltrataram Jesus, e nós? Se julgaram e condenaram Jesus, e nós? Estamos livres do pecado, mais não do portador do mau, ainda que para os que de fato amam a Cristo, digo, praticam suas obras, Cristo habita neles, e, é esta certeza que nos serve por fundamento e esperança, que em breve Ele, o único que poderia estar julgando, findará os tempos dos tempos com seu único e definitivo julgamento, e então não haverá mais dor ou sofrimento para os seus. Os julgadores estarão se banhando no lago de fogo e enxofre em tormento eterno. Amém.

Suporte um pouco mais este tempo, e continue crendo no fazer o bem e praticar as boas obras, pois em breve estaremos com Ele na nova Jerusalém. Soli Deo Gloria!



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Mecanismos de Defesa Psicológica

São mecanismos que são acionados de modo inconsciente como forma de nos proteger da dor emocional. Aparecem de diversas formas e agem de várias maneiras. Mecanismos de defesa podem tornarem-se patológicos, impedindo que percebamos a nossa realidade e ajuda-nos a nos mascarar. Para que haja cura é necessário que esses mecanismos sejam identificados e removidos da nossa vida, porque por trás deles estão os verdadeiros problemas.

Ao estudarmos sobre esses mecanismos, grife cada um com o qual você se identifica.

“Ó Deus, examina a minha alma! Põe os meus pensamentos e emoções à prova, toma conhecimento de tudo! Descobre qualquer caminho errado e mau e orienta-me para que eu ande sempre pelo caminho da vida eterna (Salmo 139:23-24)".
 
ARTIFÍCIO VERBAL - Mudar de assunto para evitar assuntos ameaçadores. (Por exemplo: Pessoas com falta de aceitação física mudam de assunto quando falam sobre estética corporal)
 
ATAQUE - Ficar irritado e agressivo quando forem feitas referências a um problema pessoal, evitando assim tocar no assunto. Nestes casos as pessoas se defendem atacando. (Por exemplo: Quando alguém aponta um defeito seu, você responde atacando a pessoa apontando um defeito dela)
 
COMPENSAÇÃO - Diminuir ou encobrir uma fraqueza ou limitação, chamando atenção para uma característica ou atributo forte. (Ex. Ativismo religioso compensa fraqueza em outras áreas da vida cristã)
 
DISSIMULAÇÃO - Oferecer desculpas, justificativas e outras explicações para encobrir a verdade sobre condutas indesejáveis. ( Ex. Pessoa anti-social está sempre doente ou ocupada quando é convidada para eventos sociais)
 
FANTASIA - Esse mecanismo leva a pessoa a um mundo imaginário, onde ela se dá bem, e vive sem os problemas da vida real. Algumas pessoas, sem perceber, se perdem em romances, novelas, vivendo suas emoções como se fizesse parte daquele mundo.
 
FORMAÇÃO REATIVA – É uma emoção disfarçando-se em outra oposta. Ex. Uma pessoa que tem sentimentos negativos contra outra pode agir com expressões de carinho e amabilidade como uma máscara que oculta o sentimento real. Estas expressões sempre são exageradas. Quem as recebe sente-se mal.
 
IDENTIFICAÇÃO – Agir como outros que admira ou cujo sucesso gostaria de ter. Pode copiar a roupa, o estilo pessoal, formas de falar ou agir, etc. Normalmente este mecanismo é percebido em pessoas com problemas de identidade devido a auto estima rebaixada. (auto desvalorização)
 
MINIMIZAÇÃO – Reconhece o problema, mas não aceita sua gravidade. Ex. Admitir que há desavença no relacionamento, quando na verdade o que há é uma evidente infidelidade.
 
NEGAÇÃO – Fingir que algo não existe, ou não perceber fatos evidentes a todos. Ex. Traição, uso de drogas, acidentes traumáticos, etc.
 
PERFECCIONISMO – Rigidez consigo mesmo, faz tudo extremamente perfeito, tentando fugir das culpas e das críticas. Esse mecanismo também permite a pessoa sentir-se justificada em apontar a imperfeição dos outros.
 
PROJEÇÃO – Projetar ou atribuir suas fantasias, emoções ou problemas em outra pessoa. Apontar comportamentos, traços ou motivos indesejáveis nos outros, afim de desviar a atenção desses mesmos traços em si próprio. Odiamos os nossos problemas e inconscientemente os atacamos quando os percebemos nos outros. Pessoas críticas, céticas e julgadoras, muitas vezes, estão usando esta defesa.
 
RACIONALIZAÇÃO – Justificar, crenças ou sentimentos de culpa ou frustração com argumentos que não são verdadeiros. Ex. Um aluno que se sente frustrado por não ter passado no vestibular, pode procurar diminuir a frustração, achando que, de qualquer forma, era uma faculdade fraca.
 
COMPORTAMENTO REGRESSIVO – É característico por condutas infantis, tais como: choro, gritos, birras. Normalmente as pessoas se defendem dessa maneira, porque os outros cedem, não sabendo como agir nestas situações.
 
REPRESSÃO - Manter fora do campo da consciência sentimentos e lembranças dolorosas que a pessoa não tem condições de enfrentar. Freqüentemente, pessoas que sofrem abuso sexual ou outro grande trauma, não conseguem lembrar de certos períodos ou pessoas do seu relacionamento no passado.
 
SUBLIMAÇÃO - Direcionar uma emoção negativa e socialmente não aceita, para uma direção positiva e socialmente aprovada (ex. Expressar um comportamento violento na prática de um esporte adequado à situação).
 
TRANSFERÊNCIA - Transferência de afetos ou sentimentos da infância que não foram elaborados. Se relacionar com alguém da forma que se relacionou quando criança com uma pessoa chave em sua vida, que deixou muito a desejar (pai, mãe, etc.).
Pode ser transferência positiva - Projetando que alguém vai suprir tudo que faltou no passado.
Pode ser transferência negativa - Atribuindo sentimentos, atitudes e comportamentos a alguém com base no relacionamento ruim no passado e não com base na realidade atual. Pastores e líderes de igrejas facilmente se tornam objeto de transferência. A transferência no campo afetivo, pode se manifestar num jogo de sedução terrivelmente perigoso para quem não está preparado para trabalhar com ela.
 
Cada mecanismo de defesa é construído para não sentirmos dor. Mas tem um custo alto, uma vez que nos tornamos escravos desses mecanismos.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Deus Pode Fazer Um Milagre

A arte ou a ciência da pregação é desvendada pela homilética no sentido ético e prático da exposição da palavra de Deus. É mister que o pregador tenha algum conhecimento, ou noção prática da homilética, a fim de discorrer o assunto de forma inteligível, dando aos espectadores a oportunidade de não somente aprender mais entender o conteúdo da mensagem.

Alguns pregadores alcançam melhores resultados que outros. Se dez pregadores pegassem a mesma mensagem na íntegra, os resultados não seriam os mesmos. Devido algumas diferenças como carisma, estudos exegéticos aprofundados, conhecimento de línguas entre outros, poderão influenciar de forma relevante a exposição da mensagem.

Mesmo os sermões com excelente conteúdo podem ser monótonos, e são muitas as razões. A paixão, o envolvimento, o testemunho, a boa retórica, são de forma direta responsáveis pelo sucesso do sermão.

Na preparação da mensagem, além do fato da exigência indiscutível do pregador buscar a orientação do Espírito Santo, estando ele também em espírito de oração, deverá durante o seu estudo promover uma dialética consigo mesmo, não dispensando as regras claras da homilética, voltado sempre em levar o esclarecimento e o conhecimento da verdade bíblica, com um objetivo de alcançar o coração das pessoas a fim de converte-las.

Pregar não é apenas transmitir uma mensagem. O pregador deverá entregar-se durante a mensagem. A pregação deve acelerar o coração enquanto ele vive e respira mensagem. A mensagem deve persegui-lo, impulsionado-o, até explodir dentro dele.

Tão grande será seu desejo de pregar, que achara difícil esperar o momento de entregar a mensagem de Deus.

Devemos ser diligentes e reacender a chama das nossas emoções, relembrando sempre o privilégio que temos como mensageiros do altíssimo.

Devemos conhecê-lo bem antes de poder representá-lo aos outros. Quando uma pessoa esta convicta de que teve um chamado para ser um pregador da palavra de Deus, é totalmente relevante que ela entenda que no ato da pregação, estará ali, representando o próprio Deus; pois, estará falando de algo que não lhe é próprio, estará falando sobre palavras que não lhe pertencem, mas, estará proclamando uma palavra que veio do próprio Deus.

Não podemos, portanto, transmitir mensagens na esperança de que funcionem em outras vidas se não funcionaram na nossa. Isto seria hipocrisia.

Quando pregamos, no sentido pleno do termo, Deus pode fazer um milagre!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Estou Cansado!


Cansei! Entendo que o mundo evangélico não admite que um pastor confesse o seu cansaço. Conheço várias passagens da Bíblia que prometem restaurar os trôpegos. Compreendo que o profeta Isaías ensina que Deus restaura as forças do que não tem nenhum vigor. Também estou informado de que Jesus dá alívio para os cansados. Por isso, já me preparo para as censuras dos que se escandalizarem com a minha confissão e que me considerarem um derrotista. Contudo, não consigo dissimular: eu me acho exausto.

Não, não me afadiguei com Deus ou com minha vocação. Continuo entusiasmado pelo que faço; amo o meu Deus, bem como minha família e amigos. Permaneço esperançoso. Minha fadiga nasce de outras fontes.

Canso com o discurso repetitivo e absurdo dos que mercadejam a Palavra de Deus. Já não agüento mais que se usem versículos tirados do Antigo Testamento e que se aplicavam a Israel para vender ilusões aos que lotam as igrejas em busca de alívio. Essa possibilidade mágica de reverter uma realidade cruel me deixa arrasado porque sei que é uma propaganda enganosa. Cansei com os programas de rádio em que os pastores não anunciam mais os conteúdos do evangelho; gastam tempo alardeando as virtudes de suas próprias instituições. Causa tédio tomar conhecimento das infinitas campanhas e correntes de oração; todas visando exclusivamente encher seus templos. Considero os amuletos evangélicos horríveis. Cansei de ter de explicar que há uma diferença brutal entre a fé bíblica e as crendices supersticiosas.

Canso com a leitura simplista que algumas correntes evangélicas fazem da realidade. Sinto-me triste quando percebo que a injustiça social é vista como uma conspiração satânica, e não como fruto de uma construção social perversa. Não consideram os séculos de preconceitos nem que existe uma economia perversa privilegiando as elites há séculos. Não agüento mais cultos de amarrar demônios ou de desfazer as maldições que pairam sobre o Brasil e o mundo.

Canso com a repetição enfadonha das teologias sem criatividade nem riqueza poética. Sinto pena dos teólogos que se contentam em reproduzir o que outros escreveram há séculos. Presos às molduras de suas escolas teológicas, não conseguem admitir que haja outros ângulos de leitura das Escrituras. Convivem com uma teologia pronta. Não enxergam sua pobreza porque acreditam que basta aprofundarem um conhecimento “científico” da Bíblia e desvendarão os mistérios de Deus. A aridez fundamentalista exaure as minhas forças.

Canso com os estereótipos pentecostais. Como é doloroso observá-los: sem uma visitação nova do Espírito Santo, buscam criar ambientes espirituais com gritos e manifestações emocionais. Não há nada mais desolador que um culto pentecostal com uma coreografia preservada, mas sem vitalidade espiritual. Cansei, inclusive, de ouvir piadas contadas pelos próprios pentecostais sobre os dons espirituais.

Cansei de ouvir relatos sobre evangelistas estrangeiros que vêm ao Brasil para soprar sobre as multidões. Fico abatido com eles porque sei que provocam que as pessoas “caiam sob o poder de Deus” para tirar fotografias ou gravar os acontecimentos e depois levantar fortunas em seus países de origem.

Canso com as perguntas que me fazem sobre a conduta cristã e o legalismo. Recebo todos os dias várias mensagens eletrônicas de gente me perguntando se pode beber vinho, usar “piercing”, fazer tatuagem, se tratar com acupuntura etc, etc. A lista é enorme e parece inexaurível. Canso com essa mentalidade pequena, que não sai das questiúnculas, que não concebe um exercício religioso mais nobre; que não pensa em grandes temas. Canso com gente que precisa de cabrestos, que não sabe ser livre e não consegue caminhar com princípios. Acho intolerável conviver com aqueles que se acomodam com uma existência sob o domínio da lei e não do amor.

Canso com os livros evangélicos traduzidos para o português. Não tanto pelas traduções mal feitas, tampouco pelos exemplos tirados do golfe ou do beisebol, que nada têm a ver com a nossa realidade. Canso com os pacotes prontos e com o pragmatismo. Já não agüento mais livros com dez leis ou vinte e um passos para qualquer coisa. Não consigo entender como uma igreja tão vibrante como a brasileira precisa copiar os exemplos lá do norte, onde a abundância é tanta que os profetas denunciam o pecado da complacência entre os crentes. Cansei de ter de opinar se concordo ou não com um novo modelo de crescimento de igreja copiado e que vem sendo adotado no Brasil.

Canso com a falta de beleza artística dos evangélicos. Há pouco compareci a um show de música evangélica só para sair arrasado. A musicalidade era medíocre, a poesia sofrível e, pior, percebia-se o interesse comercial por trás do evento. Quão diferente do dia em que me sentei na Sala São Paulo para ouvir a música que Johann Sebastian Bach (1685-1750) compôs sobre os últimos capítulos do Evangelho de São João. Sob a batuta do maestro, subimos o Gólgota. A sala se encheu de um encanto mágico já nos primeiros acordes; fechei os olhos e me senti em um templo. O maestro era um sacerdote e nós, a platéia, uma assembléia de adoradores. Não consegui conter minhas lágrimas nos movimentos dos violinos, dos oboés e das trompas. Aquela beleza não era deste mundo. Envoltos em mistérios, transcendíamos a mecânica da vida e nos transportávamos para onde Deus habita. Minhas lágrimas naquele momento também vinham com pesar pelo distanciamento estético da atual cultura evangélica, contente com tão pouca beleza.

Canso de explicar que nem todos os pastores são gananciosos e que as igrejas não existem para enriquecer sua liderança. Cansei de ter de dar satisfações todas as vezes que faço qualquer negócio em nome da igreja. Tenho de provar que nossa igreja não tem título protestado em cartório, que não é rica, e que vivemos com um orçamento apertado. Não há nada mais desgastante do que ser obrigado a explanar para parentes ou amigos não evangélicos que aquele último escândalo do jornal não representa a grande maioria dos pastores que vivem dignamente.

Canso com as vaidades religiosas. É fatigante observar os líderes que adoram cargos, posições e títulos. Desdenho os conchavos políticos que possibilitam eleições para os altos escalões denominacionais. Cansei com as vaidades acadêmicas e com os mestrados e doutorados que apenas enriquecem os currículos e geram uma soberba tola. Não suporto ouvir que mais um se auto-intitulou apóstolo.

Sei que estou cansado, entretanto, não permitirei que o meu cansaço me torne um cínico. Decidi lutar para não atrofiar o meu coração.

Por isso, opto por não participar de uma máquina religiosa que fabrica ícones. Não brigarei pelos primeiros lugares nas festas solenes patrocinadas por gente importante. Jamais oferecerei meu nome para compor a lista dos preletores de qualquer conferência. Abro mão de querer adornar meu nome com títulos de qualquer espécie. Não desejo ganhar aplausos de auditórios famosos.

Buscarei o convívio dos pequenos grupos, priorizarei fazer minhas refeições com os amigos mais queridos. Meu refúgio será ao lado de pessoas simples, pois quero aprender a valorizar os momentos despretensiosos da vida. Lerei mais poesia para entender a alma humana, mais romances para continuar sonhando e muita boa música para tornar a vida mais bonita. Desejo meditar outras vezes diante do pôr-do-sol para, em silêncio, agradecer a Deus por sua fidelidade. Quero voltar a orar no secreto do meu quarto e a ler as Escrituras como uma carta de amor de meu Pai.

Pode ser que outros estejam tão cansados quanto eu. Se é o seu caso, convido-o então a mudar a sua agenda; romper com as estruturas religiosas que sugam suas energias; voltar ao primeiro amor. Jesus afirmou que não adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma. Ainda há tempo de salvar a nossa.

Por Ricardo Gondim - http://www.ricardogondim.com.br

terça-feira, 17 de julho de 2012

Salmo 125 - Reflexão


DEUS PROTEGE OS SEUS

Sl 125.1 Aqueles que confiam no Senhor são como o monte Sião, que não pode ser abalado, mas permanece para sempre.
Depositar nossa confiança em Deus, faz-nos estar firmes como uma montanha, semelhante a ela não seremos abalados pelas adversidades, mais com confiança em Deus permaneceremos firmes diante dos problemas e dificuldades.

Sl 125.2 Como estão os montes ao redor de Jerusalém, assim o Senhor está ao redor do seu povo, desde agora e para sempre.
As montanhas cercam Jerusalém como uma muralha, não obstante, o nosso Deus nos cerca e protege do mau, e isso para sempre.

Sl 125.3 Porque o cetro da impiedade não repousará sobre a sorte dos justos, para que os justos não estendam as suas mãos para cometer a iniqüidade.
Os homens maus não terão influência permanente sobre os bons, e por isso, não levarão os bons a praticar coisas erradas.

Sl 125.4 Faze o bem, ó Senhor, aos bons e aos que são retos de coração.
As coisas boas da parte de Deus, serão derramadas sobre aqueles que buscam praticar o bem.

Sl 125.5 Mas aos que se desviam para os seus caminhos tortuosos, levá-los-á o Senhor juntamente com os que praticam a maldade. Que haja paz sobre Israel.
Contudo, aqueles que conhecem o bem e  insistem em não praticá-lo, serão somados aos homens maus e perversos. Que haja paz sobre o povo de Deus.