domingo, 11 de março de 2012

Osmose


A hermenêutica esta livre do paradoxo e do antagonismo religioso. Existe uma preocupação ritualística entre os religiosos que entendo, porém lamento. Quando encontram filhos do Reino, a primeira palavra ou frase que dirigem é a seguinte: Esta congregando em qual igreja? Não os culpo, tão pouco julgo, entendo que o processo é por osmose, inclusive e sem que percebam, enraizadamente espiritual. 

Misteriosamente, quase num perplexo engodo, não percebo perguntas sobre como a pessoa esta ou se tem precisado de alguma coisa, ninguém se oferece para orar, não questionam sobre as necessidades, se precisam de algum tipo de apoio, mas não... Falta aquela alma cândida. O importante é se esta congregando em alguma igreja. Quando explico sobre o que é seguir o caminho cristão, sobre a perseverança, o amor, a fé e o compromisso diário com Cristo, recebo olhares desapontados e desconfiados, nada disso importa, o importante é em qual igreja se esta congregando... Interessante.

Não convidam para as festividades, não cumprimentam na rua e efetivamente com salvas almas, não esboçam alegria nestes encontros. Recentemente fiz um teste, ao encontrar um ex aluno respondi a fatídica pergunta positivamente, sim, disse eu em método laboratorial, ao qual o não mais catecúmeno abriu um sorriso e disse: Glória a Deus!  Expliquei então que a igreja de Cristo se move através de mim... E aí... Osmose!

É claro que entendo, afinal não obstante a experiência e o estudo, estou envelhecendo e a compreensão parece que diminui, aumentando assim o desejo natural de seleção. Mesmo tendo certeza que o agora teólogo me tem em estima, não ouvi a pergunta que procuro, parece que na verdade ninguém se importa se estamos bem, se estamos em paz, se temos dinheiro ou se estamos passando fome. As atenções estão voltadas para um único fato interrogativo convicto: “O irmão congrega aonde?” Veja que paradoxo hermenêutico, osmosianos antagônicos a exegese do único livro histórico.

Estou farto do movimento osmosiano, sinceramente ele não me interessa, são matadores de pensadores, de religiosos verdadeiramente livres, Davi foi um homem que entendeu que sua armadura não poderia ser a de outro homem, Davi foi livre. É claro que a igreja, por ainda um tempo manterá certa relevância, mais me refiro a algo maior.

Tenho conhecido cristãos de todas as naturezas, cada um com sua história. Os menos religiosos, confesso, são mais sinceros e realistas consigo mesmo e com os demais, não escondem seus desejos e essência, se for assim possível. Percebo nos mais religiosos uma obcecação no ideal, uma ausência do real, o que a duras penas entenderão, penso, que há um abismo, ao qual se torna maior quando a arrogância e a altivez imperam, essencialmente com o fator osmosiano.

Digo a verdade e não minto, não estou interessado em qual igreja estão freqüentando, nem quantos títulos os vossos guias têm, nem o tamanho do novo templo, ou quanto foi gasto na nova reforma... È tudo esterco.

Mais espero encontrá-los em paz, com boa saúde e em harmonia. Espero que estejam sendo cristãos o máximo possível, e que não inventem espiritualidade. Espero que de alguma maneira Deus me abaste de força para ajudar alguns, com palavras, fé e obras. Que tenha tempo para ouvir um pouco mais, e isso de verdade. Que possa ser melhor e melhorar um pouco mais, acho que até o recolhimento, ainda dá tempo.

Um comentário:

  1. Dr. Valtencir Alves:

    Qual é o seu e-mail?

    Quero comunicar-me com o senhor.

    O meu é bnovas@uol.com.br

    Obrigado.

    Wagner Antonio de Araújo

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