sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Mensagem de Natal 2013 e Ano Novo 2014


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Fim dos Temos - Apocatástase

No desejo ardente de dividir conhecimento e movido pela intelectualidade que lhe era peculiar, Orígenes de Alexandria (185-253 d.C.), também conhecido como Orígenes cristão, para designar a restauração final de todas as coisas em sua unidade absoluta com Deus, criou o termo apocatástase.

Este termo, apocatástase representa a redenção e salvação final de todos os seres, habitantes do paraíso ou do hades, terráqueos ou não, galardoneanos ou comuns. É, assim, descrito por Orígenes como um evento posterior ao próprio apocalipse. 

Este acontecimento, segundo Orígenes, sintetizaria o poder do Logos ou Verbo encarnado, não obstante, o próprio Cristo como poder redentor e salvador que não conheceria limite algum, livraria a todos quanto foram criados pelo poder do amor e da misericórdia.

Como forma de proposta, a apocatástase levanta uma série de questões interessantes para o cristianismo. É uma teoria, muito embora para Orígenes uma tese. 

Em primeiro lugar, ela leva a supor que não há um único mundo criado - o que principia no Gênesis e finda no Apocalipse - como afirmado pela Bíblia. Ao contrário, em sua atividade criadora, Deus cria infinitamente, uma sucessão de mundos, que só se esgotaria na apocatástase, quando todos os seres repousassem definitivamente em Deus. Os seres aqui não se resumiriam aos homens, mais a todos os seres criados nos outros mundos.

Em segundo lugar, parece dar a possibilidade de estabelecer uma distinção entre o Logos ou Verbo e sua encarnação como Cristo. Uma vez que Cristo é uma encarnação histórica neste mundo em particular, estaria aberta a possibilidade de uma encarnação futura do Logos ou Verbo. Essa possibilidade não é totalmente incompatível com os textos sagrados cristãos, que falam de uma volta do Logos, contudo, permitem questionar a divindade de Cristo, dogma comum a muitas denominações emblemadas como cristãs. 

Séculos após a morte de Orígenes, durante o segundo concílio de Constantinopla, os aspectos de sua doutrina que permitiriam subordinar a figura de Cristo ao Logos e ao Pai, rompendo também com o dogma da Santíssima Trindade foram considerados errôneos. Desde então, a maior parte das denominações se referem ao apocalipse, mas não à apocatástase. Aceitando assim, em definitivo a revelação inerrante da santa Palavra.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Apologética

A apologética é a ciência ou disciplina racional que se esforça por apresentar a defesa da fé religiosa, existindo dentro e fora da Igreja cristã. O termo é usado em contraste com polêmica, que é um debate efetuado entre cristãos a fim de determinar a verdadeira posição cristã sobre alguma questão especifica. Presumivelmente, a apologética aborda questões defendidas por alguma fé religiosa especifica, como o cristianismo, mas que são negadas pelos incrédulos.  No uso comum, a Palavra é usualmente empregada para indicar a defesa do cristianismo.

Positivamente, a apologética tenta elaborar e defender uma visão cristã de Deus, da alma e do mundo, uma visão apoiada por raciocínios reputados capazes de convencer os nãos cristãos da veracidade das doutrinas envolvidas. Negativamente, trata-se de um esforço para antecipar possíveis pontos de ataque, defendendo as doutrinas cristãs contra tais ataques. 

Alguns fazem oposição a qualquer defesa da fé cristã, supondo que o conhecimento  da verdade por meio da revelação é perfeito, e não requer qualquer raciocínio humano em      sua defesa. Porém, a ideia que a revelação, coada por mentes humanas, é perfeita, capaz assim de produzir um perfeito corpo de verdades conhecidas, não passa de um dogma  formulado pelo homem, e não uma doutrina da própria Bíblia. De fato, essa ideia é uma  apologia em favor de um dos modos de se obter conhecimento. 

Em qualquer instância em que algum argumento é apresentado nas Escrituras, não diretamente alicerçado sobre algum texto de prova, dentro da Bíblia, é uma apologia dentro dos livros sacros.  Tomemos como exemplo o primeiro capitulo da epistola aos Romanos.  Paulo mostra a culpa e a impossibilidade de defesa dos pagãos, diante da mente divina. Ele erige uma apologia em favor de certas ideias básicas, e muitos capítulos das epistolas de Paulo podem ser encarados por esse prisma.

Apologetas (Apologistas)

O termo é usado para falar sobre aqueles pais da igreja cujas obras tiveram o intuito de defender a fé e a Igreja cristã contra os ataques. Esses ataques eram lançados pelo judaísmo, pelo paganismo, pelo Estado, e também pela filosofia grega de várias escolas. Como é óbvio, muitos cristãos subseqüentes e contemporâneos podem ser chamados apologetas. Mas, quando usamos as palavras “os apologetas”, estas indicam os primeiros pais da Igreja que se atarefaram nessa atividade. 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A Esperança Dos Profetas

Caindo e levantando, o povo foi andando, procurando ser o povo de Deus e buscando atingir para si e para os outros os bens da promessa divina. Muitas vezes, porém, esquecia o chamado de Deus e se acomodava. Em vez de servir a Deus, queria que Deus servisse ao projeto que eles mesmos tinham inventado. Invertiam a situação. Era nestas horas que surgiam os profetas para denunciar o erro e para anunciar de novo à vontade de Deus ao povo.

A Bíblia conserva as palavras de quatro profetas chamados Maiores: Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, e de doze Menores. Muitos outros profetas são mencionados na Bíblia. O maior deles foi Elias. Os profetas, cujos nomes, gestos e palavras foram conservados, são como flores. Elas supõem um chão, uma semente e uma planta. O chão, a semente e a planta destes profetas são as comunidades que lhes transmitiram a fé; são os inúmeros profetas locais, cujos nomes foram esquecidos. É como hoje. Os grandes profetas são conhecidos no país inteiro, mas eles só puderam surgir graças ao povo anônimo e fiel das suas comunidades.

Diante das falhas constantes do povo, desviado por seus falsos líderes, os profetas começaram a alimentar no povo uma nova esperança. Diziam: no futuro, o projeto de Deus será realizado através de um enviado especial, um novo líder, fiel e verdadeiro, chamado Messias.

Foi esta esperança maior, alimentada pelos profetas, que sustentou o resto fiel do povo e o ajudou a superar as duras crises da sua caminhada. O resto fiel eram, sobretudo, os pobres que punham sua esperança unicamente em Deus (cf. Sf 3,12). Como a mãe enfrenta as dores do parto, porque tem amor à vida nova que ela carrega dentro de si, assim os pobres enfrentavam as dores da caminhada, porque tinham amor à promessa divina que eles carregavam dentro de si. Eles acreditavam na vida nova que dela haveria de surgir para todos os homens. Esta vida nova chegou, finalmente, em Jesus, o Messias.

A esperança dos pobres se realiza em Jesus e nas comunidades

Para realizar a missão do Messias, Deus não mandou qualquer um. Mandou o seu próprio Filho! Jesus, o Filho de Deus, realizou a promessa do Pai, trouxe a libertação para o povo e anunciou a Boa-Nova do Reino aos pobres.

A pregação de Jesus não agradou a todos. Os doutores da Lei, os fariseus, os saduceus e os sacerdotes imaginavam a vinda do Reino como uma simples inversão da situação, sem mudança real no relacionamento entre os homens e entre os povos. Eles, os judeus, dominados pelos romanos, ficariam por cima e seriam os senhores do mundo, e os que estavam por cima ficariam por baixo.

Mas não era assim que Jesus entendia o Reino do Pai. Ele queria uma mudança radical. Para ele, o povo de Deus tinha de ser um povo irmão e servidor, e não um povo dominador a ser servido pelos outros povos (cf. Mt 20,28).

Jesus iniciou esta mudança: colocou-se do lado dos pobres, marginalizados pelo sistema dos líderes judeus, denunciou este sistema como contrário à vontade do Pai e convocava a todos para mudar de vida. Mas os grandes não quiseram. O que era Boa Notícia para os pobres era má notícia para os grandes, pois Jesus exigia deles que abandonassem os seus privilégios injustos e as suas idéias de grandeza e de poder. Eles preferiram as suas próprias idéias, rejeitaram o apelo de Jesus e o mataram na cruz com o apoio dos romanos.

Foi aí que o Pai mostrou de que lado ele estava. Usando o seu poder que protege a vida, ressuscitou Jesus. Animados por este mesmo poder de Deus que vence a morte, os seguidores de Jesus, os primeiros cristãos, organizaram a sua vida em pequenas comunidades, viviam em comunhão fraterna, tinham tudo em comum e já não havia mais necessitados entre eles (cf. At 2,42-44).

Assim, a vida nova, prometida no Antigo Testamento e trazida por Jesus, apareceu aos olhos de todos na vida dos primeiros cristãos. Eles se tornaram “a carta de Cristo, reconhecida e lida por todos os homens” (cf. 2Cor 3,2-3). Neles apareceu o Novo Testamento! É na vida comunitária dos primeiros cristãos, sustentada pela fé em Jesus, vivo no meio deles, que apareceu uma amostra clara do projeto que o Pai tinha em mente quando chamou Abraão e quando decidiu libertar o seu povo do Egito.

Jesus trouxe a chave para o povo poder entender o sentido verdadeiro da longa caminhada do Antigo Testamento. Os primeiros cristãos, usando esta chave, conseguiram abrir a porta da Bíblia e souberam entender e realizar a vontade do Pai. O Antigo Testamento é o botão, o Novo Testamento é a flor que nasceu do botão. Um se explica pelo outro. Um sem o outro não se entende. Como eles, assim também nós devemos reler a nossa história à luz de Cristo, com a ajuda da Bíblia, e tentar descobrir dentro dela o apelo de Deus, desde o seu começo.



quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Livre Arbítrio e Soberania

Deus nos fez de modo tal que somos seres formadores de decisão. Sempre faremos uma escolha ou outra em dada situação. Não podemos parar de fazer escolhas quando confrontados com alternativas. Se eu me recuso a fazer uma escolha, eu ainda assim, estarei fazendo uma escolha.

Mas como são feitas as escolhas? Os homens, farão escolhas segundo o seu desejo momentâneo. Ao escolher, pensamos ser a melhor opção no momento, isso quer dizer que nossas escolhas revelam nosso caráter, uma vez que é nosso caráter quem produz nossos desejos e, portanto, determina o que consideramos a melhor opção. Um bom caráter geralmente desejará boas coisas, e um mau caráter desejará coisas más. O que nós escolhemos, portanto, revela a condição da nossa maturidade.

Deus nos criou como seres responsivos, ou seja, em resposta à nossa criação, deveríamos glorificar ao Criador. Isto significa que nós não agimos diante de Deus, mas apenas reagimos.

A vontade pode ser livre para planejar, mas não para executar. Quando se diz que a vontade é livre, obviamente não quer dizer que ela determina o curso da nossa vida.

Não escolhemos doença, pobreza ou dor. Não escolhemos nossa condição social, nossa cor, ou nossa inteligência.

Ninguém pode negar que o homem tem vontade, e que esta faculdade de escolher o que dizer, fazer, pensar, tem nos frustrado bastante. Pensando em nossa liberdade, podemos projetar um curso de ação, mas não podemos realizar o intento. Em outras palavras, nossa vontade tem a capacidade de tomar uma decisão, mas não o poder de realizar seu propósito.

O homem pode escolher e planejar o que tiver vontade. Mas a sua vontade não é livre para realizar nada contrário à vontade de Deus. 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Sonhos

E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões – Joel 2:28


Uma vida sem sonhos se torna monótona. Sem objetivos e sem planos, o dia a dia se torna cansativo e o viver parece ingrato.

A profecia do livro de Joel destaca um anúncio sobre esta questão, revela uma experiência gerada pelo Espírito, que foge da normalidade cotidiana, “vossos velhos terão sonhos”. Não é normal. As pessoas com idade avançada, de comum, se acomodam no seu estado, pois a juventude se foi, e as novas realizações parecem não ter sentido devido a idade.

Na profecia destacada no livro profético de Joel, esta lei pode ser alterada, pois aquele que receber, aceitar o Espírito, ainda que velho voltará a ter sonhos.

Ter sonhos é uma coisa boa, é revitalizar as coisas que estão guardadas no âmago da alma, é o desejo de recriar a história, ou simplesmente, continuar a criar um novo futuro. É o desejo de realizar, de tentar outra vez, de voltar a acreditar que é possível e que desta vez vai dar certo.

Muitos sonhos foram frustrados, e alguns apagados pelas situações decorrentes da própria vida, e desnorteados muitos desistiram e se tornaram tristes. A vinda do Espírito trouxe ao homem a possibilidade de poder sonhar outra vez, tendo novamente condições de planejar e criar novos objetivos.

Mais tarde alguém diria: “Deixando as coisas que para trás ficam...” A renovação dos sonhos esta totalmente ligada ao abandono do passado, não da mente, pois ela foi criada para ser depósito, mais do coração, lugar de onde procedem as fontes da vida.

Busque a presença do Espírito, e volte a sonhar, sonhos gerados pelo convívio no Espirito Santo, produzem alegria de vida mesmo nos momentos difíceis. Não pense ser velho, nem mesmo que o tempo já passou, pois estando “Nele” todas as coisas se renovam e pela fé são possíveis.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Os Primeiros Interpretes da Bíblia

O primeiro intérprete da Palavra de Deus foi o diabo, dando a palavra divina um sentido que ela não tinha, falseando astutamente a verdade (Gn. 3:1). Na verdade Deus disse o contrário (Gn. 2:16). Esta é uma interpretação eisegética, significa usar um texto da Bíblia, adulterando o seu sentido.

O segundo intérprete da Palavra de Deus foi Eva (Gn. 3:3). Na verdade Deus disse outra coisa (Gn.2:1617). Eva também usa da eisegese, pois acrescenta ao texto aquilo que ele não diz.

Um estudo da história da interpretação bíblica começa, em geral, com a obra de Esdras. Ao voltar do exílio na Babilônia, o povo de Israel solicitou a Esdras que lhes lesse o Pentateuco. Neemias 8:8 lembra: “Leram [Esdras e os levitas] no Livro, na lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia.” 

Como vimos acima, ser um interprete da Santa Palavra, não significa fazê-lo de maneira correta. A primeira e a segunda interpretação da narrativa bíblica, demonstrou uma "eisegese". Por fim, encontramos a primeira hermenêutica bíblica correta, no livro de Neemias. Fica-nos como alerta uma das 03 principais teses de Lutero "Sola Scriptura".


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Doutrina dos Anjos (Angelologia)

Introdução


A angelologia é uma das mais difíceis doutrinas encontradas nas Escrituras Sagradas. E por sua dificuldade tende a ser por muitos negligenciada. Contudo, dada sua importância devemos apor a este assunto grande valor, pois anjos são ministros da providência de Deus1, e agentes ativos na vida do crente e da Igreja de Cristo. O não entendimento, ou a falta de estudo, sobre sua natureza e atividades, tem ocasionado o surgimento de muitas seitas, heresias e credos, distintos e distantes da sã doutrina, conforme encontrada na Palavra de Deus.
Neste estudo pretendemos estabelecer os ensinos das Sagradas Escrituras sobre este assunto, atendo-nos a uma interpretação literal-histórico-gramatical do texto bíblico, sempre comparando escritura com escritura2, evitando alegorizar qualquer passagem, exceto quando haja clara permissão para isto, dada pela própria Palavra de Deus3. 

Terminologia


O termo anjo da língua portuguesa tem origem na palavra latina angelu, que por sua vez se deriva do termo aggelov (aggelos) do grego. Em hebreu, a palavra traduzida como anjo é K)lm (mal'ak).
A palavra malak ocorre 214 vezes no Antigo Testamento, e a palavra aggelos ocorre 188 vezes no Novo Testamento , sendo que ambas tem o significado de mensageiro, representante, enviado ou embaixador.
Pela terminologia também podemos entender que os anjos têm gênero masculino, pois são assim invariavelmente referidos. Não cabe, portanto, a idéia de que anjos não teriam gênero definido. Se assim o fosse, seriam estes representados por palavras de gênero neutro nas línguas de origem, ou em ocasiões seriam representados utilizando-se palavras de gênero masculino e em outras de gênero feminino; fatos estes que nunca ocorrem. 

Criação dos anjos


Os anjos são criaturas, ou seja, foram criados por Deus, não existem desde a eternidade como o próprio Deus:

"Só tu és SENHOR; tu fizeste o céu, o céu dos céus, e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto neles há, e tu os guardas com vida a todos; e o exército dos céus te adora". (Neemias 9:6 ACF4)
"Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todos os seus exércitos. (3) Louvai-o, sol e lua; louvai-o, todas as estrelas luzentes. (4) Louvai-o, céus dos céus, e as águas que estão sobre os céus. (5) Louvem o nome do SENHOR, pois mandou, e logo foram criados". (Salmo 148:2-5 ACF)

Os anjos foram criados por Deus em algum ponto antes do final do segundo dia da criação, pois já existiam neste momento conforme pode ser depreendido da leitura comparativa de Jó e Gênesis:

"Depois disto o SENHOR respondeu a Jó de um redemoinho, dizendo: (2) Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento? (3) Agora cinge os teus lombos, como homem; e perguntar-te-ei, e tu me ensinarás. (4) Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência. (5) Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? (6) Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina, (7) quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam? (8) Ou quem encerrou o mar com portas, quando este rompeu e saiu da madre; (9) Quando eu pus as nuvens por sua vestidura, e a escuridão por faixa? (10) Quando eu lhe tracei limites, e lhe pus portas e ferrolhos, (11) e disse: Até aqui virás, e não mais adiante, e aqui se parará o orgulho das tuas ondas?" (Jó 38:1-11 ACF)
"E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. (7) E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi. (8) E chamou Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo. (9) E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca; e assim foi. (10) E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares; e viu Deus que era bom". (Gênesis 1:6-10 ACF)

Eles foram criados em um estado de santidade, mas alguns optaram por não se manter neste estado, conforme nos relata Judas:

"E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia;" (Judas 6 ACF) 

O número de anjos

Os anjos, ao contrário do homem, não têm capacidade reprodutiva:

"Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu". (Mateus 22:30 ACF)
Sendo assim seu número não se altera, pois, tal qual o homem, eles têm existência eterna, seja para o bem ou para o mal. Contudo, não é possível determinar quantos anjos foram criados. A Palavra de Deus sempre se refere a eles através de números metafóricos, indicando grande quantidade, mas em nenhuma parte há um número exato:
"Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam, e milhões de milhões assistiam diante dele; assentou-se o juízo, e abriram-se os livros". (Daniel 7:10 ACF)
"Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos" (Hebreus 12:22 ACF) 

Funções dos anjos

Conforme o Antigo Testamento

As passagens selecionadas e apresentadas a seguir nos mostram as principais funções dos anjos conforme relatadas pelo Antigo Testamento. Temos nestas passagens anjos louvando ao SENHOR, enviando mensagens Suas, obedecendo à vontade de Deus, e também sendo referidos como um exército celestial (como guerreiros):

"Jacó também seguiu o seu caminho, e encontraram-no os anjos de Deus. (2) E Jacó disse, quando os viu: Este é o exército de Deus. E chamou aquele lugar Maanaim". (Gênesis 32:1-2 ACF)
"Então o anjo do SENHOR veio, e assentou-se debaixo do carvalho que está em Ofra, que pertencia a Joás, abiezrita; e Gideão, seu filho, estava malhando o trigo no lagar, para o salvar dos midianitas. (12) Então o anjo do SENHOR lhe apareceu, e lhe disse: O SENHOR é contigo, homem valoroso". (Juízes 6:11-12 ACF)
"Só tu és SENHOR; tu fizeste o céu, o céu dos céus, e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto neles há, e tu os guardas com vida a todos; e o exército dos céus te adora". (Neemias 9:6 ACF)
"Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas; com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam. (3) E clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória". (Isaías 6:2-3 ACF)
"E aconteceu que, havendo eu, Daniel, tido a visão, procurei o significado, e eis que se apresentou diante de mim como que uma semelhança de homem. (16) E ouvi uma voz de homem entre as margens do Ulai, a qual gritou, e disse: Gabriel, dá a entender a este a visão. (17) E veio perto de onde eu estava; e, vindo ele, me amedrontei, e caí sobre o meu rosto; mas ele me disse: Entende, filho do homem, porque esta visão acontecerá no fim do tempo". (Daniel 8:15-17 ACF) 
Conforme o Novo Testamento

No Novo Testamento além das funções mostradas pelo Antigo Testamento, que em grande parte são novamente referenciadas pelo Novo Testamento, os anjos são também apresentados como ministros de Deus aos herdeiros da salvação em Cristo:

"O inimigo, que o semeou, é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos. (40) Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo. (41) Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniqüidade. (42) E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes". (Mateus 13:39-42 ACF)
"Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus". (Mateus 18:10 ACF)
"Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho. (9) E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor. (10) E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: (11) Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor". (Lucas 2:8-11 ACF)
"E apartou-se deles cerca de um tiro de pedra; e, pondo-se de joelhos, orava, (42) dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua. (43) E apareceu-lhe um anjo do céu, que o fortalecia". (Lucas 22:41-43 ACF)
"E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra, Até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés? (14) Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?" (Hebreus 1:13-14 ACF)
"E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões, e milhares de milhares, (12) que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças". (Apocalipse 5:11-12 ACF)
"E eu, João, sou aquele que vi e ouvi estas coisas. E, havendo-as ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que mas mostrava para o adorar. (9) E disse-me: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus". (Apocalipse 22:8-9 ACF) 

A natureza dos anjos


Os anjos são seres espirituais, mas podem ostentar forma corpórea que pode tocar e ser tocada, bem como comer alimentos sólidos:

"Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?" (Hebreus 1:14 ACF)
"(1) E vieram os dois anjos a Sodoma à tarde, e estava Ló assentado à porta de Sodoma; e vendo-os Ló, levantou-se ao seu encontro e inclinou-se com o rosto à terra...(3) E porfiou com eles muito, e vieram com ele, e entraram em sua casa; e fez-lhes banquete, e cozeu bolos sem levedura, e comeram...(10) Aqueles homens porém estenderam as suas mãos e fizeram entrar a Ló consigo na casa, e fecharam a porta;" (Gênesis 19:1,3,10 ACF)

Como já mencionado, os anjos são seres imortais, tendo existência eterna:

"Mas os que forem havidos por dignos de alcançar o mundo vindouro, e a ressurreição dentre os mortos, nem hão de casar, nem ser dados em casamento; (36) Porque já não podem mais morrer; pois são iguais aos anjos, e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição". (Lucas 20:35-36 ACF)

São também seres extremamente poderosos, sendo dotados de poderes sobre-humanos, pois foram, por Deus, criados superiores aos homens:

"Enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder, não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor". (II Pedro 2:11 ACF)
"Que é o homem mortal para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites? (5) Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste". (Salmo 8:4-5 ACF)

Todavia, os anjos não são onipotentes:

"Então me disse: Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras. (13) Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia". (Daniel 10:12-13 ACF)

Também não são oniscientes:

"Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai". (Mateus 24:36 ACF)

Nem onipresentes:

"Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho. (9) E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor". (Lucas 2:8-9 ACF)

Mas, tem uma espantosa velocidade, podendo se transportar dos céus a terra quase que instantaneamente:

"Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?" (Mateus 26:53 ACF)

Os anjos são dotados de grande inteligência:

"Agora vim, para fazer-te entender o que há de acontecer ao teu povo nos derradeiros dias; porque a visão é ainda para muitos dias". (Daniel 10:14 ACF)
"Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar". (I Pedro 1:12 ACF)
"E o anjo me disse: Por que te admiras? Eu te direi o mistério da mulher, e da besta que a traz, a qual tem sete cabeças e dez chifres". (Apocalipse 17:7 ACF)

Bem como têm eles vontade própria, e poder de decisão:

"Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! (13) E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. (14) Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo". (Isaías 14:12-14 ACF)
"E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia". (Judas 6 ACF)

São também seres emotivos:

"Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?" (Jó 38:7 ACF) 

Classificações específicas dos anjos 

Arcanjo

O único arcanjo referenciado pela Bíblia é Miguel, cujo nome significa "Aquele que é semelhante a Deus":

"Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda." (Judas 9 ACF1)

A palavra arcanjo aparece somente duas vezes na Bíblia Sagrada, uma no texto em Judas 9, e outra no texto em I Tessalonicenses 4:16 ACF:

"Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro."

"Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia." (Daniel 10:13 ACF) 
Serafins

A palavra hebraica para Serafim é "saraph", que significa serpente que queima ou serpente ardente. Esta palavra se origina em outra palavra hebraica que significa queimar ou arder. A única ocasião em que esta palavra descreve esta classe particular de anjos ocorre no capítulo 6 de Isaías, onde são descritos como seres com aparência humana (rostos, pés e mãos) e com seis asas, sendo duas utilizadas para cobrir o rosto, e duas para cobrir os pés, e com duas voavam. Criaturas com características semelhantes podem ser vistas em Apocalipse 4, onde encontramos quatro seres também com seis asas, e louvando ao Senhor de modo muito semelhante ao descrito por Isaías. Não há, contudo, qualquer garantia de que estes textos tratem dos mesmos seres, ou tão somente, são seres com algumas características comuns.
A palavra "saraph" no Antigo Testamento é utilizada para designar as serpentes ardentes2 que picavam o povo de Israel no deserto, bem como para designar a serpente que foi feita por Moisés e posteriormente destruída por Ezequias. As referências aos anjos em Isaías como Serafins (serpentes) nos remetem ao Jardim do Éden onde a antiga serpente tentou Eva. Fica, então, a pergunta: - Seria Satanás um Serafim? 
Querubins

Querubim vem da palavra hebraica "kerub". No grego temos uma única referência à palavra Xeroubin (cheroubim) que é o plural do hebraico "kerub" 3.
No Antigo Testamento temos 66 versos que trazem a palavra "kerub". Sua primeira ocorrência descreve os seres que foram postos por Deus, como guardas, ao oriente do Jardim do Éden, quando, por causa do pecado, expulsou de lá o homem. Em outras são referências às figuras postas sobre propiciatório (tampa que protegia o conteúdo da arca da Aliança), uma em cada extremidade, provendo proteção aos objetos contidos na arca:
"Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório. (19) Farás um querubim na extremidade de uma parte, e o outro querubim na extremidade da outra parte; de uma só peça com o propiciatório, fareis os querubins nas duas extremidades dele. (20) Os querubins estenderão as suas asas por cima, cobrindo com elas o propiciatório; as faces deles uma defronte da outra; as faces dos querubins estarão voltadas para o propiciatório. (21) E porás o propiciatório em cima da arca, depois que houveres posto na arca o testemunho que eu te darei. (22) E ali virei a ti, e falarei contigo de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins (que estão sobre a arca do testemunho), tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel". (Êxodo 25:18-22 ACF)

O propiciatório, com os querubins, não somente proviam proteção ao conteúdo da arca, mas formavam um suporte visível para o trono invisível de Deus.

"Tu, que és pastor de Israel, dá ouvidos; tu, que guias a José como a um rebanho; tu, que te assentas entre os querubins, resplandece". (Salmo 80:1 ACF)
"O SENHOR reina; tremam os povos. Ele está assentado entre os querubins; comova-se a terra". (Salmo 99:1 ACF)

Foram bordados querubins também nas cortinas e nos véus do Tabernáculo, bem como nas paredes do Templo. ( Êxodo 26:31 e II Crônicas 3:7)
Também eram querubins que sustentavam o trono de Deus no relato encontrado em Ezequiel 10:

"Depois olhei, e eis que no firmamento, que estava por cima da cabeça dos querubins, apareceu sobre eles uma como pedra de safira, semelhante a forma de um trono. (2) E falou ao homem vestido de linho, dizendo: Vai por entre as rodas, até debaixo do querubim, e enche as tuas mãos de brasas acesas dentre os querubins e espalha-as sobre a cidade. E ele entrou à minha vista. (3) E os querubins estavam ao lado direito da casa, quando entrou aquele homem; e uma nuvem encheu o átrio interior. (4) Então se levantou a glória do SENHOR de sobre o querubim indo para a entrada da casa; e encheu-se a casa de uma nuvem, e o átrio se encheu do resplendor da glória do SENHOR. (5) E o ruído das asas dos querubins se ouviu até ao átrio exterior, como a voz do Deus Todo-Poderoso, quando fala. (6) Sucedeu, pois, que, dando ele ordem ao homem vestido de linho, dizendo: Toma fogo dentre as rodas, dentre os querubins, entrou ele, e parou junto às rodas. (7) Então estendeu um querubim a sua mão dentre os querubins para o fogo que estava entre os querubins; e tomou dele, e o pôs nas mãos do que estava vestido de linho; o qual o tomou, e saiu. (8) E apareceu nos querubins uma semelhança de mão de homem debaixo das suas asas". (Ezequiel 10:1-8 ACF)

Observemos, neste relato, várias características dos querubins, como o fato de serem criaturas aladas, de terem mãos como que de homens, de serem os sustentadores do trono de Deus e de serem criaturas extremamente poderosas. 
O Anjo do Senhor

Há várias referências bíblicas sobre aparições do Anjo do Senhor, sendo este um ensino da maior importância, pois são estas aparições, mais especificamente teofanias em que Deus se apresentava em forma humana. Há no Antigo Testamento 62 referências ao Anjo do Senhor (ou à variante Anjo de Deus), sendo a primeira em Gênesis 21:17, quando o Anjo de Deus aparece a Agar no deserto. O Anjo do Senhor apareceu por várias vezes executando tarefas destinadas aos anjos ordinários, ou seja, trazendo mensagens de Deus4, protegendo o povo de Deus5 e suprindo suas necessidades6.
Contudo, apesar de várias controvérsias entre os eruditos quanto a este assunto específico, devemos aqui estabelecer a identidade do Anjo do Senhor, como sendo pré-encarnações de nosso Senhor Jesus Cristo. Para tanto trataremos alguns pontos que sempre distinguem as aparições do Anjo do Senhor de aparições de outros anjos:
- Um dos pontos mais relevantes quanto a esta questão é que no contexto do Novo Testamento não há sequer uma referência a "o Anjo do Senhor". Sempre que ocorre referência a "Anjo do Senhor", esta se faz como "um anjo do Senhor" e nunca como "O Anjo do Senhor". Esta substituição diz muito em sua aplicação direta, pois, ser "um", é ser um entre muitos, e ser "o" é ser único do gênero7. No texto grego não encontramos o artigo definido "o" anexo à palavra aggelov (aggelos), colocando todas as referências com exceção de Atos 7:30,8 na condição de um em muitos, e não de único em sua espécie. É importante tomarmos esta posição, especialmente em vista de I Timóteo 3:16, pois Deus já havia se manifestado em carne, tornando estas ocorrências como aparições de um de seus anjos.
- O Anjo do Senhor aceitou a adoração de Josué9. Um anjo comum não admite ser adorado, como pode bem ser visto nas passagens em Apocalipse 19:10 e 22:8-9. A instrução é clara: "Adora a Deus". Anjos têm clara noção de sua posição e não admitem que os homens os adorem. Se o "Anjo de Deus" que apareceu a Josué não fosse o próprio Deus (segunda pessoa da trindade), não teria aceitado, de forma alguma, a adoração de Josué.
- Em Juízes 13:15-22 temos:
"15 Então Manoá disse ao anjo do SENHOR: Ora deixa que te detenhamos, e te preparemos um cabrito. (16) Porém o anjo do SENHOR disse a Manoá: Ainda que me detenhas, não comerei de teu pão; e se fizeres holocausto o oferecerás ao SENHOR. Porque não sabia Manoá que era o anjo do SENHOR. (17) E disse Manoá ao anjo do SENHOR: Qual é o teu nome, para que, quando se cumprir a tua palavra, te honremos? (18) E o anjo do SENHOR lhe disse: Por que perguntas assim pelo meu nome, visto que é maravilhoso? (19) Então Manoá tomou um cabrito e uma oferta de alimentos, e os ofereceu sobre uma penha ao SENHOR: e houve-se o anjo maravilhosamente, observando-o Manoá e sua mulher. (20) E sucedeu que, subindo a chama do altar para o céu, o anjo do SENHOR subiu na chama do altar; o que vendo Manoá e sua mulher, caíram em terra sobre seus rostos. (21) E nunca mais apareceu o anjo do SENHOR a Manoá, nem a sua mulher; então compreendeu Manoá que era o anjo do SENHOR. (22) E disse Manoá à sua mulher: Certamente morreremos, porquanto temos visto a Deus".

Esta passagem nos esclarece vários pontos. O primeiro a ser levado em conta é o nome do anjo do Senhor, que é Maravilhoso. Ora, vemos em Isaías 9:6, que Maravilhoso é nome dado ao menino que nos foi dado por Deus para salvação do homem. Alem disto vemos o próprio reconhecimento de Manoá (pai de Sansão) de que o Anjo do Senhor que lhe havia aparecido era Deus. Vemos também o anjo do Senhor subindo na chama do altar, tipologia para o sacrifício que a segunda pessoa da trindade, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, viria a fazer por todos os homens.
Por todas estas razões devemos entender com firmeza e clareza que O Anjo do Senhor (ou o Anjo de Deus) no Antigo Testamento é sim, e sem dúvidas nosso Senhor Jesus Cristo. 
O Anjo Gabriel

A palavra Gabriel vem do hebraico "Gabriy'el", que quer dizer "guerreiro de Deus" ou "homem de Deus", provindo da junção de "geber", "homem forte" ou "guerreiro" e 'el. Este anjo é o anunciador das grandes mensagens de Deus para a humanidade, tendo aparecido a Daniel10 e depois no Novo Testamento durante a anunciação do nascimento de João o Batista11 e de Jesus Cristo12.
É o anjo que assiste diante de Deus, sendo ele o portador das grandes mensagens de Deus para os homens. 
O Anjo da guarda

"Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus". (Mateus 18:10 ACF)

O primeiro problema a ser solucionado nesta passagem é quem são os pequeninos referidos por Jesus. Há duas interpretações possíveis, uma direta que indicaria Cristo estar falando de crianças. Outra indicaria que Ele estaria falando de seus discípulos, pois por diversas vezes Ele assim o fez (cf. Mateus 10:42; 18:6). Poderíamos entender ambos os significados, mas devemos dar preferência ao último, por ser esta a prática de Cristo. Quando Ele falava de crianças, Ele as chamava de crianças mesmo ou de meninos, não de pequeninos.

Esta passagem não deve ser tomada, como muitos o têm feito, no sentido de que haja um anjo para cada crente. O texto não diz isto, mas sim que há ação angelical de proteção dos discípulos de Cristo. E esta ação faz parte do trabalho geral dos anjos em proteger o povo de Deus:

"Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?" (Hebreus 1:14 ACF)

Logo, não há tal coisa como "anjo da guarda", mas sim anjos que servem por ordens de Deus àqueles que estão aqui executando as boas obras, que Deus preparou para que andassem nelas13. 
O Anjo da Igreja

Quem são os anjos da Igreja tratados nos primeiros capítulos do Apocalipse de João? Esta pergunta tem sido alvo de respostas diversas, e se faz necessário estudá-las.
A resposta mais comum é que João ao escrever estaria se referindo aos pastores destas Igrejas, com base em Malaquias 2:7, onde a palavra K)lm (mal'ak), designativa de anjo no hebreu, é empregada aos líderes religiosos como sendo mensageiros da vontade de Deus. Assim, aos mensageiros das Igrejas (aggelos) ou aos seus anjos, é que seriam escritas as cartas.
Contudo, outras interpretações como a do alegorista Orígenes de Alexandria indicariam se tratar de anjos reais, e sendo assim, cada Igreja teria o seu próprio anjo da guarda particular. Mas, vemos pelo conteúdo das cartas que elas não se dirigem a um anjo, mas a pessoas, aos membros daquela igreja.

O que de fato se pode entender é que o anjo e a Igreja se confundem na mensagem, indicando claramente que o anjo faz parte da Igreja, e este entendimento aponta de forma inequívoca para o pastor como anjo da Igreja. 
Considerações Finais

Esta doutrina, apesar de difícil, é da mais alta importância para o crente em sua vida cotidiana, pois os anjos são exemplos de louvor e ajudadores enviados por Deus. É reconfortante saber que há anjos do Senhor trabalhando para nos proteger dos perigos espirituais que rondam nossas vidas, e os termos como exemplo de quão maravilhosa será nossa vida louvando ao Senhor por toda a eternidade.

1 Todos os textos bíblicos citados neste estudo foram extraídos da tradução de João Ferreira de Almeida - Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original (ACF), editada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, exceto quando houver sido especificado em contrário.
2 Por seu veneno causar dor à semelhança de queimadura.
3 Hebreus 9:5: "E sobre a arca os querubins da glória, que faziam sombra no propiciatório; das quais coisas não falaremos agora particularmente."
4 Gênesis 31:11-13 "E disse-me o anjo de Deus em sonhos: Jacó! E eu disse: Eis-me aqui. E disse ele: Levanta agora os teus olhos e vê todos os bodes que cobrem o rebanho, que são listrados, salpicados e malhados; porque tenho visto tudo o que Labão te fez. Eu sou o Deus de Betel, onde tens ungido uma coluna, onde me fizeste um voto; levanta-te agora, sai-te desta terra e torna-te à terra da tua parentela."
5 Êxodo 14:19 "E o anjo de Deus, que ia diante do exército de Israel, se retirou, e ia atrás deles; também a coluna de nuvem se retirou de diante deles, e se pós atrás deles."
6 I Reis 19:7 "E o anjo do SENHOR tornou segunda vez, e o tocou, e disse: Levanta-te e come, porque te será muito longo o caminho."
7 Por exemplo, em Mateus 1:20 temos: "E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo."
8 Por coerência a Êxodo 3:2, esta é uma referência a "O Anjo do Senhor", já que se trata de citação direta da passagem do Antigo Testamento.
9 Josué 5:14 "E disse ele: Não, mas venho agora como príncipe do exército do SENHOR. Então Josué se prostrou com o seu rosto em terra e o adorou, e disse-lhe: Que diz meu senhor ao seu servo?"
10  Daniel 8:16: "E ouvi uma voz de homem entre as margens do Ulai, a qual gritou, e disse: Gabriel, dá a entender a este a visão."
Daniel 9:21: "Estando eu, digo, ainda falando na oração, o homem Gabriel, que eu tinha visto na minha visão ao princípio, veio, voando rapidamente, e tocou-me, à hora do sacrifício da tarde."
11 Lucas 1:19: "E, respondendo o anjo, disse-lhe: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado a falar-te e dar-te estas alegres novas."
12 Lucas 1:26-27: "E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem, cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria."
13 Efésios 2:10 "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas."

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Amor Jovem

Assim serviu Jacó sete anos por Raquel; e estes lhe pareceram como poucos dias, pelo muito que a amava (Gênesis 29:20).

Naturalmente os jovens seguem com o curso natural da vida, no que se refere ao amor. Se conhecer, namorar, noivar e casar ou não, viver juntos, coabitar, se entrelaçar na paixão, se jogar com tudo e acreditar.

Acreditar que pode ser amor e por isso belo, querer ter a certeza que a escolha foi correta, e se possível incluir Deus nesta escolha, reflexo do desejo do ideal. As histórias se misturam e são diferentes nos seus acontecimentos, mas, nem sempre o resultado do enlace é amor, e então há sofrimento, que muitas vezes percorre toda a vida.

Se atraídos pela beleza exterior, seja no corpo, ou no rosto, o risco da paixão é grande, logo, passageira, exige cuidado e atenção, apesar do prazer da presença, a convivência constante pode ser reverso, e o prazer poderá se extinguir. O amor é inusitado e frequente, enquanto a paixão traz lembranças de um tempo bom, mas que não se quer voltar.

Mais há maneiras de interpretar o verdadeiro amor, como exemplo, o carisma contido na narrativa poética imortalizada do livro “o pequeno príncipe”, onde o destaque do amor esta intrinsicado na frase “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Não se trata de fato da rosa, mais o fato de uma delas ser a rosa especial.

No texto bíblico acima, enamoraram-se pela beleza refletida na luz dos olhos, não se trata aqui de atração física ou meramente beleza corpórea, surgiu o amor fundamentado na mais pura beleza, a beleza do amor verdadeiro, aquele onde as almas se entrelaçam, e isso pra sempre.

Um pouco antes do verso acima, a história revela que quando Jacó avistou Raquel, correu para ajuda-la e a beijou e como resultado do encontro das almas, chorou. Sim, o amor chora e muito, pois traz consigo a certeza de que tudo vale a pena, o amor chora diante da beleza, da espera do sentimento verdadeiro e recíproco.


Diante disso, não tenha tanta pressa, aguarde com paciência e siga o fluxo normal, continue a viver a coisa bela da vida, e no tempo oportuno, o amor te encontra.