segunda-feira, 25 de março de 2013

A Fera


Escondido e camuflado dentro de todo homem existe uma fera. Sim, trata-se de outro ser que embora amortecido ressurge com certa frequência e insiste em praticar atos indesejados, que nos envergonham e nos deixam no pó. Quando finalmente retornam ao seu refúgio, de maneira translúcida floresce a moral que nos explica os erros assim como seus motivos.

Envergonhados pelos atos do outro eu, surgem a tristeza e o desânimo, assim como a dúvida de que talvez isso nunca mude. Na história do cristianismo, Calvino recebeu este rótulo, intitulado de “a fera de Calvino”, embora tenha contribuído de maneira significativa para o protestantismo da época, Calvino impelido pela raiva foi diretamente responsável por vinte e quatro mortes, atribuídas a fatos ligados a predestinação, enfim, coisas da história, sua época e suas crenças.

Essa fera que constantemente aborrece o homem que esta lutando para acertar, melhor explicado no livro de Gálatas capítulo cinco, tem o poder de ferir pessoas, e quando as águas já passaram, assim como um tsunami, algumas coisas jamais poderão ser recolocadas em sua ordem, e isso vai nos matando por dentro.

Destruir é deverasmente bem mais fácil que construir, e o rugido da fera tira a razão e chega a apagar o amor, que em cheque, tenta se levantar como uma árvore presa pelas raízes da esperança.

A Bíblia diz que há esperança para a árvore, mesmo que ainda cortada seus brotos poderão ressurgir... A Deus toda a glória e honra. Amém!

Lutar contra a fera não é tarefa fácil, exige autocontrole, domínio próprio e amor, aos quais infelizmente temos falhado na busca e prática diária, digo como quem esta em primeiro lugar na lista dos errantes. Que Deus nos ajude, para que onde o pecado tem abundado, superabunde a graça de Deus, que é eterno e misericordioso para sempre. Soli Deo Glória!

terça-feira, 5 de março de 2013

Antônio


No final de um bate papo descontraído e evidentemente provocativo, com um tom de voz pausado, agradável aos ouvidos e sereno, Antônio, costumeiramente encerra com a pergunta: “O que é, a vida?”.

Todos os convidados sabem que no final da conversa, a pergunta virá. Não obstante a isso, quando chega o momento, todos parecem ter ensaiado bem a resposta, que supostamente seria original, porém, na hora exata o discurso muda, eles como que travados, buscam de improviso uma resposta que agrade a sociedade e aos poetas.

Gosto quando diante de uma resposta que ecoa no vazio, Antônio repete a pergunta, como quem demostra não fazer parte da cavernosa sociedade dos poetas, menos do platonismo idealista.

O que leva a reflexão diante deste decepcionante pressuposto é o porquê da mudança da já ensaiada resposta. A relevância, o mitte da reflexão sobre o tema, é o motivo da mudança da resposta.

Existe uma substanciosa, e não pequena preocupação sobre o que a sociedade vai comentar, se a resposta a Antônio for sincera, digo, a resposta dos lábios coadunar com a intrínseca verdade alojada no cardio, ah! Isso é outra coisa.

O que é, a vida? A vida é uma idéia que não deu certo. Uma brincadeira de mau gosto. Sim, biblicamente relatado pelo autor, a hermenêutica explica. O plano falhou.

O criador de tudo, irrevogavelmente afirmou que se arrependeu de ter feito o homem, não obstante sua maldade. No episódio da torre de Babel ele confunde as línguas humanas diante de um desejo perverso. Finda o mundo em água, pois os filhos de Adão não foram encontrados dignos de habitar o planeta criado. Precisou enviar seu filho, pois, como já era de se esperar, os oito falharam vergonhosamente. Traça um plano final com a volta do filho para findar com os "salvos” num lugar novo, mais com uma matéria diferente, mistérios ocultos em deuteronômio vinte e nove. Ai até onde a gente sabe... Sei lá. Fato mesmo é que não deu certo.

Antônio continua a buscar a resposta, não que o assunto se encerre, longe disso. Mais a insistência para que os discentes saiam da caverna, se tornou paradoxal. Fiquem na caverna, melhor assim. Penso que dentro dela, as falácias do romantismo, e as impropriedades exegéticas florescem, ainda que em derrocada. O que é a vida? Diga você.