segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Fim dos Temos - Apocatástase

No desejo ardente de dividir conhecimento e movido pela intelectualidade que lhe era peculiar, Orígenes de Alexandria (185-253 d.C.), também conhecido como Orígenes cristão, para designar a restauração final de todas as coisas em sua unidade absoluta com Deus, criou o termo apocatástase.

Este termo, apocatástase representa a redenção e salvação final de todos os seres, habitantes do paraíso ou do hades, terráqueos ou não, galardoneanos ou comuns. É, assim, descrito por Orígenes como um evento posterior ao próprio apocalipse. 

Este acontecimento, segundo Orígenes, sintetizaria o poder do Logos ou Verbo encarnado, não obstante, o próprio Cristo como poder redentor e salvador que não conheceria limite algum, livraria a todos quanto foram criados pelo poder do amor e da misericórdia.

Como forma de proposta, a apocatástase levanta uma série de questões interessantes para o cristianismo. É uma teoria, muito embora para Orígenes uma tese. 

Em primeiro lugar, ela leva a supor que não há um único mundo criado - o que principia no Gênesis e finda no Apocalipse - como afirmado pela Bíblia. Ao contrário, em sua atividade criadora, Deus cria infinitamente, uma sucessão de mundos, que só se esgotaria na apocatástase, quando todos os seres repousassem definitivamente em Deus. Os seres aqui não se resumiriam aos homens, mais a todos os seres criados nos outros mundos.

Em segundo lugar, parece dar a possibilidade de estabelecer uma distinção entre o Logos ou Verbo e sua encarnação como Cristo. Uma vez que Cristo é uma encarnação histórica neste mundo em particular, estaria aberta a possibilidade de uma encarnação futura do Logos ou Verbo. Essa possibilidade não é totalmente incompatível com os textos sagrados cristãos, que falam de uma volta do Logos, contudo, permitem questionar a divindade de Cristo, dogma comum a muitas denominações emblemadas como cristãs. 

Séculos após a morte de Orígenes, durante o segundo concílio de Constantinopla, os aspectos de sua doutrina que permitiriam subordinar a figura de Cristo ao Logos e ao Pai, rompendo também com o dogma da Santíssima Trindade foram considerados errôneos. Desde então, a maior parte das denominações se referem ao apocalipse, mas não à apocatástase. Aceitando assim, em definitivo a revelação inerrante da santa Palavra.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Apologética

A apologética é a ciência ou disciplina racional que se esforça por apresentar a defesa da fé religiosa, existindo dentro e fora da Igreja cristã. O termo é usado em contraste com polêmica, que é um debate efetuado entre cristãos a fim de determinar a verdadeira posição cristã sobre alguma questão especifica. Presumivelmente, a apologética aborda questões defendidas por alguma fé religiosa especifica, como o cristianismo, mas que são negadas pelos incrédulos.  No uso comum, a Palavra é usualmente empregada para indicar a defesa do cristianismo.

Positivamente, a apologética tenta elaborar e defender uma visão cristã de Deus, da alma e do mundo, uma visão apoiada por raciocínios reputados capazes de convencer os nãos cristãos da veracidade das doutrinas envolvidas. Negativamente, trata-se de um esforço para antecipar possíveis pontos de ataque, defendendo as doutrinas cristãs contra tais ataques. 

Alguns fazem oposição a qualquer defesa da fé cristã, supondo que o conhecimento  da verdade por meio da revelação é perfeito, e não requer qualquer raciocínio humano em      sua defesa. Porém, a ideia que a revelação, coada por mentes humanas, é perfeita, capaz assim de produzir um perfeito corpo de verdades conhecidas, não passa de um dogma  formulado pelo homem, e não uma doutrina da própria Bíblia. De fato, essa ideia é uma  apologia em favor de um dos modos de se obter conhecimento. 

Em qualquer instância em que algum argumento é apresentado nas Escrituras, não diretamente alicerçado sobre algum texto de prova, dentro da Bíblia, é uma apologia dentro dos livros sacros.  Tomemos como exemplo o primeiro capitulo da epistola aos Romanos.  Paulo mostra a culpa e a impossibilidade de defesa dos pagãos, diante da mente divina. Ele erige uma apologia em favor de certas ideias básicas, e muitos capítulos das epistolas de Paulo podem ser encarados por esse prisma.

Apologetas (Apologistas)

O termo é usado para falar sobre aqueles pais da igreja cujas obras tiveram o intuito de defender a fé e a Igreja cristã contra os ataques. Esses ataques eram lançados pelo judaísmo, pelo paganismo, pelo Estado, e também pela filosofia grega de várias escolas. Como é óbvio, muitos cristãos subseqüentes e contemporâneos podem ser chamados apologetas. Mas, quando usamos as palavras “os apologetas”, estas indicam os primeiros pais da Igreja que se atarefaram nessa atividade.